SINOPSE
SOCIEDADE IMPÉRIO SOBERANO 2006
"O
Redescobrimento do Brasil"
MESTRE JUCA CHAVES, SUA VIDA E SUA
OBRA
A
sátira invadiu a passarela virtual. Vamos, do modo mais
cínico possível,
redescobrir o Brasil através da bela obra de Juca Chaves,
denominada de “A
Sátira Inteligente”.
Abram-Alas para a Sociedade, que vem cantar tão “Jucamente”
o Menestrel do
Brasil, Mestre Juca Chaves. Juca, nascido no Rio de Janeiro, e
passando a
sua vida em São Paulo, desde cedo, mais precisamente aos
18 anos, sempre se
interessou pela música, poesia, e principalmente, a sátira
em relação aos
assuntos políticos e econômicos do país, seu
alvo favorito.
Favorecido pela sua formação de contraponto, piano,
arranjo e teoria
musical, Juca passou alfinetar sutilmente a situação
do país, inclusive no
período negro da ditadura militar através de trovas
e canções. Um de seus
principais atos de rebeldia e ironia foi se auto-exilar em Lisboa,
e
posteriormente na Itália, voltando apenas em 1969 devido
à censura. Na
Europa não havia quem calar Juquinha...
Mas Juca foi guerreiro. De volta ao país, fez severas críticas
a indústria
fonográfica, criando um selo independente chamado SDRUWS
Recordes, brigando
pela numeração dos discos na década de 80.
Hoje, com seu violão ou alaúde,
Juca Chaves faz shows pelo país cantando seus velhos clássicos
de ontem,
hoje e sempre.
Nosso Carnaval irá abordar com muita irreverência
a obra “A Sátira
Inteligente”, onde Juca canta e conta canções
que mostram passo a passo,
desde 1960 na Construção de Brasília, passando
pela Ditadura, Censura, Nova
República, Constituição e Diretas Já,
além de presidentes como Juscelino
Kubistchek, Tancredo Neves, Fernando Collor de Mello e Itamar
Franco, em
1993, onde acontece o fim da obra.
Enfim, enquanto o país abre suas pernas, abram sua imaginação
e mergulhem no
humor do grande Menestrel, com seu violão e seu enorme
nariz.
Bom
Carnaval a Todos!
SETOR
A SETOR – COMO FUNCIONARÁ O DESFILE
Nosso
desfile divide-se em 4 setores, 3 alegorias, 15 alas, 1 casal
de
Mestre-Sala e Porta-Bandeira e um tripé.
O primeiro setor abordará, em ritmo de Bossa Nova, a construção
de Brasília
(entre as décadas de 50/60, o chamado “bananal”),
a Constituição de 1962
(com a “Revolução Gaúcha” de
Brizola), sem se esquecer do impasse do
porta-aviões comprado dos ingleses por 82 milhões
de dólares.
No segundo setor, o ápice da ditadura militar e da censura,
com o cômico
“Semana do Presidente” exibido na TV mostrando o dia-a-dia
em Brasília, além
do ímpeto popular pelo voto.
A terceira parte do desfile mostra a Nova República e a
Democracia de volta
aos braços do povo, embalado pelo misterioso falecimento
de Tancredo e as
palhaçadas maranhenses de José Sarney, o novo presidente
do Brasil.
A quarta e última parte do desfile aborda o fiasco do Super
Collor, em meio
as cascatas, viagens e jardins, até chegar ao Impeatchmann
em 1992, seguido
pela mineirice de Itamar Franco, mostrando que seu topete ainda
está de pé.
Leia esta sinopse do modo mais cínico possível.
Ela é a história do nosso
país contada em verso, prosa e ironia. Obrigado, mestre
Juca Chaves!
Setor
1
Presidente Bossa-Nova
Apertem os cintos, aumentem os volumes e vamos todos decolar para
a Nova
Capital! Ao som da Bossa Nova, Brasília era construída
no Governo JK para
ser a capital federal moderna e com a cara de um país desenvolvido,
deixando
o Rio de Janeiro sendo a “velha capi”. Ora bolas,
um passo enorme para o
Brasil. Restava saber se o passo era para frente ou para trás…
Ah, uma nova Capital! O sonho do progresso de Juscelino, se transformava
no
tão chamado “bananal”. Era um novo destino
para o país, novos ministros
nomeados... Mas o mesmo estigma de um país de terceiro
mundo. Era o ápice da
República das Bananas e toda a sua mediocridade.
A Economia gerava lucro. Mas para a Elite. O Brasil ia cada vez
pior, com
ladrões, burgueses, políticos e figurões
da Coluna Social. Qualquer ladrão
era batente nacional. Vivendo do auge do futebol, surgem os generais
e somem
as soluções. Sem policiamento, medicina superada
e condução precária, o
Brasil urge. E ironicamente, grita: CAIXINHA, OBRIGADO!
E veio o porta-aviões. Uma dos atos mais ridículos
da História do Brasil.
Ficava a pergunta: será que iríamos à guerra?
Afinal, 82 milhões num mísero
porta-aviões não era nada… para os ingleses.
Um viva para a Inglaterra! Até
o Banco do Brasil, beirou a falência. E de quem era o tal
porta-aviões? Da
Marinha? Da Aeronáutica? Enquanto os patriotas mentiam,
burgueses aplaudiam.
Era o caos. Ou seria apenas revolução?
Em 1961, o Brasil era o país do café. Então,
porque não um Contrabando de
Café para salvar o país? Monte um novo bando e imponha
respeito. Sendo homem
de idade do DF e freqüentar a maldita Coluna Social, já
era possível
“contrabandear” nossa riqueza para salvar o país.
Com toda a confusão,
sobravam para comunistas e estudantes. Tudo era válido
na República das
Bananas para fugir da crise. Só não podíamos
deixar Juscelino saber. Caso
contrário, a solução era fugir para a Europa.
Mas eis que surge o impasse da constituinte, cantado em prosa
e verso por
Juca Chaves. Acabou saindo, e já tínhamos o nosso
Parlamento. Faltava saber
quem era o Rei. Só esqueceram de avisar os gaúchos,
comandados por Brizola,
Denys e Lacerda, usando um “machado” para salvar o
Regime. João Goulart
assumiria para por um fim no impasse.
Setor 2
Ditadura
Ah, a Ditadura! No meio de tantos Generais, Juquinha resolveu
cantar uma
modinha para Dona Maria Tereza, esposa de Jango. Pouca felicidade
e muita
fome, enquanto deputados engordavam seus bolsos com salários
cada vez mais
altos. No meio do sumiço do feijão e dos dólares
do país, Lacerda também
levava uma espinafrada por falar demais. Seria o Parlamento cego?
Afinal,
lugar de feijão é na mesa. Já Lacerda era
em outro lugar. Jango saía e a
sacanagem ficava.
E chegou a censura. Não sobrou nem para as modinhas de
Juca, cantadas apenas
3 das 6 compostas. Assim, Juquinha deixou um “Lembrete”
para a censura. O
Parlamento era considerado extremamente “luxuoso”
para o bico de João
Goulart, que era gaúcho, e não europeu. Diante um
golpe, nosso “novo
Presidente” acabou se tornando Vice de Tancredo Neves. Diziam
as más línguas
que Lacerda sofria do intestino. Era por isso que não fazia
nada em seu
cargo.
Passaram-se 13 anos de censura as modinhas de Juca. O ano era
1975 e, para
voltar com todo o vapor, era cantada uma modinha para mostrar
toda a
confusão que se instalava na nação. Eram
os Políticos de Cordel. Nosso país
era um puteiro. Restava saber quem eram as prostitutas, cafetões
e tarados
que se davam bem ali dentro. E tirando uma conclusão de
toda a baderna
instalada no país, ficava a frase:
“Se a Justiça é
um croupier, vence a banca, é natural”.
Enfim, sobrava para o povo: as prostitutas
deste enorme puteiro chamado
Brasil onde ninguém era de ninguém. E viva o jeitinho
brasileiro. Não sobrou
nem para a Televisão: o famoso “A Semana do Presidente”,
de Sílvio Santos,
que mostrava o dia-a-dia de João. Porém, tiveram
cenas hilárias que não
foram mostradas. Entre beijinhos em crianças e tabefes
em estudantes, João
também recebia mordomias, aumento do dólar e cargos
novos a ministros. Tudo
bem mostrado em Rede Nacional, através de uma escuta.
“Em seu Governo, descobriu-se
quem colocou a tal escuta no Palácio do
Planalto: foi a TV Globo, querendo gravar clandestinamente ‘Os
Trapalhões”.
E veio o direito ao voto, pela Nova
República. Roberta Close eleita a nossa
preferência sexual. E a Política, mostrava como Roberta,
a sua “frente
liberal”.
“Nova República, não
ponha atrás da gente
Aquilo que a Roberta tem na frente”
Muita grana e mordomia por trás.
Tancredo, eleito e imortal na Academia,
desabafava dizendo que era profissional em apoios internacionais,
enquanto o
país andava para trás. Nem o Rio, cidade de Juca
Chaves, escapara das
críticas. Havia Inflação e crise. Enquanto
isso, muita gente enriquecia em
circunstâncias duvidosas. Ninguém sabia quem mandava
e quem desmandava.
Muita sede e muita fome entre os miseráveis, que passavam
fome, mas não
perdiam a sua tarde no Maracanã. E os governantes, assim
como o Cristo
Redentor, permaneciam intactos perante as dívidas externas.
O Ministro abria
os braços e o país abria as pernas ao FMI. Eis o
Rio. Lotado de traficantes
e travestis.
Setor 3
Diretas Já!!!
Veio Tancredo Neves, e a Nova República chegava para substituir
uma outra,
já feita por João anteriormente, enquanto Tancredo,
tão cedo ia embora,
devido a uma doença, diagnosticada pela “avançadíssima”
medicina como
Diverticulite (inflamação nos pulmões). Seria
um “fantasma” que seria
Presidente? E a Nova República acabou sendo pior que a
velha, diziam que
seria processada por plágio pela mesma.
“A luz no túnel não
passou de decepção.
De uma moto maranhense em contra-mão”
O
Povo andava preocupado. Não pela ausência de Tancredo,
mas sim pelo
excesso de saúde de Sarney. Porém, não era
apenas Tancredo que estava
doente. Mas uma nação órfã do simpático
presidente, substituído por uma
política retrógrada vinda do Maranhão.
Sarney lançava um novo pacote em pleno Carnaval. Verde-Esperança,
assim como
era o sentimento do povo. Parecia que a alegria estava voltando,
porém o
“tesão” do Pacote acabara furando pois os mesmos
rasgaram o pacote devido a
inflação. Aumento de preços, avião,
gasolina e impostos. Não para o
Presidente, que viaja para ver o Papa e receber um passe de uma
Mãe-de-Santo
em São Luís
Éramos todos fiscais de um país nem sempre varonil.
Setor 4
Um país Collorido...
Um país Collorido estava por vir. Cascatas, jet-sky, aviões
particulares,
whiskies e viagens. E o povo é quem pagava tudo. Era um
belo rapaz. Morando
na chamada Casa da Dinda. Belos ternos, festas e visitas... Até
esporte
nosso herói praticava. Entre eles, o karatê, para
praticar um golpe no bolso
do povo.
Eis o Super Collor, eleito pela nação em 1989, vencendo
Lula no segundo
turno das eleições. Era o herói nacional,
eleito no ano anterior, que deixou
todos em branco na conta bancária. Há quem diga
que existia uma semelhança
entre Collor de Mello e o finado Tancredo Neves. Enquanto Tancredo
morrida
de Diverticulite, Collor de Mello Diverte-se no cu da Elite.
E, diante todos os escândalos, pegaram a voz do Ministro
Antônio Magri. Era
o popular “Imexível Bode Respiratório”,
como denominava Juca Chaves. Em meio
a fitas, mesmo que mal gravadas com a voz do Ministro, havia a
ironia que,
com tanta grana e investimentos envolvidos em suas declarações
econômicas,
que gravadoras iriam lançá-la sua famosa fita escandalosa
em CD…e a
pilantragem chegava até os nossos ouvidos.
Ah, a Honestidade….sentimento nobre que passa longe do brasileiro,
como já
dizia a famosa frase:
“Por isso todo dia pra alegria
do Brasil
Morre um ladrão e nascem dois”
Vão
os honestos e ficam as conseqüências. Muita promessa
e comoção dos
aposentados, que ficam exatamente apenas na promessa. Collor aplica
um “69”
no bolso do povo, invertendo os valores. Pobre cada vez mais pobre,
rico
cada vez mais rico. E na brincadeira, sobra até para as
montadoras, com os
seus carros a álcool, chamados de carroças.
Collor acabara caindo e chegando um novo presidente. Então
ministro, com seu
belo terninho, um pomposo topete e mastigando seu pão-de-queijo,
eis, Itamar
Franco. Relança o “moderníssimo” fusca,
seu sonho de consumo, muda ministros
numa alta freqüência e causa greves na Polícia
Federal.
Em sua vida social, um amor caipira, entre Dona Norma e a famosa
Sem-Calcinha do Camarote do Carnaval. Assim, mostra o povo porquê
o país vai
pra baixo, e seu topete, cada vez mais pra cima.
“Ah Presidente Itamar
Como disse o Chico Anysio no ar
O Povo só tem 3 problemas
Café, Almoço e Jantar”
Finalizando
a obra, veio o “inteligente” Plebiscito. Ah, a nova
moda do
brasileiro! Qual seria o regime ideal: Presidencialismo, Parlamentarismo
ou
uma Monarquia? A TV alimentava a discussão enquanto o governo
aumentava a
raiva do povo. Afinal, votar pra quê? Para escolher um Presidente,
você
escolhe um deputado, que acaba virando oposição.
Ou então a gloriosa
Monarquia! Mas, votar num Rei? Que Piada! A Rainha sorri, o Rei
tira, só pra
si, e ainda goza na gente.
E assim, Redescobrimos o Brasil numa viagem cheia de humor e muita
cara de
pau. E, é nesta irreverência que a Sociedade se prepara
para fazer, tão
Jucamente, um Carnaval inesquecível. Assim como os momentos
cantados aqui.
Bom Carnaval!
Juca Chaves, por Luís Butti
Carnavalesco do G.R.C.E.S.V. Sociedade Império Soberano