MIGUEL PAUL
PRESIDENTE DE HONRA

ARTHUR MACEDO
PRESIDENTE EXECUTIVO

 

SINOPSE SOCIEDADE IMPÉRIO SOBERANO 2006

 

"O Redescobrimento do Brasil"

 

MESTRE JUCA CHAVES, SUA VIDA E SUA OBRA

A sátira invadiu a passarela virtual. Vamos, do modo mais cínico possível,
redescobrir o Brasil através da bela obra de Juca Chaves, denominada de “A
Sátira Inteligente”.

Abram-Alas para a Sociedade, que vem cantar tão “Jucamente” o Menestrel do
Brasil, Mestre Juca Chaves. Juca, nascido no Rio de Janeiro, e passando a
sua vida em São Paulo, desde cedo, mais precisamente aos 18 anos, sempre se
interessou pela música, poesia, e principalmente, a sátira em relação aos
assuntos políticos e econômicos do país, seu alvo favorito.

Favorecido pela sua formação de contraponto, piano, arranjo e teoria
musical, Juca passou alfinetar sutilmente a situação do país, inclusive no
período negro da ditadura militar através de trovas e canções. Um de seus
principais atos de rebeldia e ironia foi se auto-exilar em Lisboa, e
posteriormente na Itália, voltando apenas em 1969 devido à censura. Na
Europa não havia quem calar Juquinha...

Mas Juca foi guerreiro. De volta ao país, fez severas críticas a indústria
fonográfica, criando um selo independente chamado SDRUWS Recordes, brigando
pela numeração dos discos na década de 80. Hoje, com seu violão ou alaúde,
Juca Chaves faz shows pelo país cantando seus velhos clássicos de ontem,
hoje e sempre.

Nosso Carnaval irá abordar com muita irreverência a obra “A Sátira
Inteligente”, onde Juca canta e conta canções que mostram passo a passo,
desde 1960 na Construção de Brasília, passando pela Ditadura, Censura, Nova
República, Constituição e Diretas Já, além de presidentes como Juscelino
Kubistchek, Tancredo Neves, Fernando Collor de Mello e Itamar Franco, em
1993, onde acontece o fim da obra.

Enfim, enquanto o país abre suas pernas, abram sua imaginação e mergulhem no
humor do grande Menestrel, com seu violão e seu enorme nariz.

Bom Carnaval a Todos!

SETOR A SETOR – COMO FUNCIONARÁ O DESFILE

Nosso desfile divide-se em 4 setores, 3 alegorias, 15 alas, 1 casal de
Mestre-Sala e Porta-Bandeira e um tripé.

O primeiro setor abordará, em ritmo de Bossa Nova, a construção de Brasília
(entre as décadas de 50/60, o chamado “bananal”), a Constituição de 1962
(com a “Revolução Gaúcha” de Brizola), sem se esquecer do impasse do
porta-aviões comprado dos ingleses por 82 milhões de dólares.

No segundo setor, o ápice da ditadura militar e da censura, com o cômico
“Semana do Presidente” exibido na TV mostrando o dia-a-dia em Brasília, além
do ímpeto popular pelo voto.

A terceira parte do desfile mostra a Nova República e a Democracia de volta
aos braços do povo, embalado pelo misterioso falecimento de Tancredo e as
palhaçadas maranhenses de José Sarney, o novo presidente do Brasil.
A quarta e última parte do desfile aborda o fiasco do Super Collor, em meio
as cascatas, viagens e jardins, até chegar ao Impeatchmann em 1992, seguido
pela mineirice de Itamar Franco, mostrando que seu topete ainda está de pé.
Leia esta sinopse do modo mais cínico possível. Ela é a história do nosso
país contada em verso, prosa e ironia. Obrigado, mestre Juca Chaves!

Setor 1
Presidente Bossa-Nova

Apertem os cintos, aumentem os volumes e vamos todos decolar para a Nova
Capital! Ao som da Bossa Nova, Brasília era construída no Governo JK para
ser a capital federal moderna e com a cara de um país desenvolvido, deixando
o Rio de Janeiro sendo a “velha capi”. Ora bolas, um passo enorme para o
Brasil. Restava saber se o passo era para frente ou para trás…

Ah, uma nova Capital! O sonho do progresso de Juscelino, se transformava no
tão chamado “bananal”. Era um novo destino para o país, novos ministros
nomeados... Mas o mesmo estigma de um país de terceiro mundo. Era o ápice da
República das Bananas e toda a sua mediocridade.

A Economia gerava lucro. Mas para a Elite. O Brasil ia cada vez pior, com
ladrões, burgueses, políticos e figurões da Coluna Social. Qualquer ladrão
era batente nacional. Vivendo do auge do futebol, surgem os generais e somem
as soluções. Sem policiamento, medicina superada e condução precária, o
Brasil urge. E ironicamente, grita: CAIXINHA, OBRIGADO!

E veio o porta-aviões. Uma dos atos mais ridículos da História do Brasil.
Ficava a pergunta: será que iríamos à guerra? Afinal, 82 milhões num mísero
porta-aviões não era nada… para os ingleses. Um viva para a Inglaterra! Até
o Banco do Brasil, beirou a falência. E de quem era o tal porta-aviões? Da
Marinha? Da Aeronáutica? Enquanto os patriotas mentiam, burgueses aplaudiam.
Era o caos. Ou seria apenas revolução?

Em 1961, o Brasil era o país do café. Então, porque não um Contrabando de
Café para salvar o país? Monte um novo bando e imponha respeito. Sendo homem
de idade do DF e freqüentar a maldita Coluna Social, já era possível
“contrabandear” nossa riqueza para salvar o país. Com toda a confusão,
sobravam para comunistas e estudantes. Tudo era válido na República das
Bananas para fugir da crise. Só não podíamos deixar Juscelino saber. Caso
contrário, a solução era fugir para a Europa.

Mas eis que surge o impasse da constituinte, cantado em prosa e verso por
Juca Chaves. Acabou saindo, e já tínhamos o nosso Parlamento. Faltava saber
quem era o Rei. Só esqueceram de avisar os gaúchos, comandados por Brizola,
Denys e Lacerda, usando um “machado” para salvar o Regime. João Goulart
assumiria para por um fim no impasse.

Setor 2
Ditadura

Ah, a Ditadura! No meio de tantos Generais, Juquinha resolveu cantar uma
modinha para Dona Maria Tereza, esposa de Jango. Pouca felicidade e muita
fome, enquanto deputados engordavam seus bolsos com salários cada vez mais
altos. No meio do sumiço do feijão e dos dólares do país, Lacerda também
levava uma espinafrada por falar demais. Seria o Parlamento cego? Afinal,
lugar de feijão é na mesa. Já Lacerda era em outro lugar. Jango saía e a
sacanagem ficava.

E chegou a censura. Não sobrou nem para as modinhas de Juca, cantadas apenas
3 das 6 compostas. Assim, Juquinha deixou um “Lembrete” para a censura. O
Parlamento era considerado extremamente “luxuoso” para o bico de João
Goulart, que era gaúcho, e não europeu. Diante um golpe, nosso “novo
Presidente” acabou se tornando Vice de Tancredo Neves. Diziam as más línguas
que Lacerda sofria do intestino. Era por isso que não fazia nada em seu
cargo.

Passaram-se 13 anos de censura as modinhas de Juca. O ano era 1975 e, para
voltar com todo o vapor, era cantada uma modinha para mostrar toda a
confusão que se instalava na nação. Eram os Políticos de Cordel. Nosso país
era um puteiro. Restava saber quem eram as prostitutas, cafetões e tarados
que se davam bem ali dentro. E tirando uma conclusão de toda a baderna
instalada no país, ficava a frase:

“Se a Justiça é um croupier, vence a banca, é natural”.

Enfim, sobrava para o povo: as prostitutas deste enorme puteiro chamado
Brasil onde ninguém era de ninguém. E viva o jeitinho brasileiro. Não sobrou
nem para a Televisão: o famoso “A Semana do Presidente”, de Sílvio Santos,
que mostrava o dia-a-dia de João. Porém, tiveram cenas hilárias que não
foram mostradas. Entre beijinhos em crianças e tabefes em estudantes, João
também recebia mordomias, aumento do dólar e cargos novos a ministros. Tudo
bem mostrado em Rede Nacional, através de uma escuta.

“Em seu Governo, descobriu-se quem colocou a tal escuta no Palácio do
Planalto: foi a TV Globo, querendo gravar clandestinamente ‘Os Trapalhões”.

E veio o direito ao voto, pela Nova República. Roberta Close eleita a nossa
preferência sexual. E a Política, mostrava como Roberta, a sua “frente
liberal”.

“Nova República, não ponha atrás da gente
Aquilo que a Roberta tem na frente”

Muita grana e mordomia por trás. Tancredo, eleito e imortal na Academia,
desabafava dizendo que era profissional em apoios internacionais, enquanto o
país andava para trás. Nem o Rio, cidade de Juca Chaves, escapara das
críticas. Havia Inflação e crise. Enquanto isso, muita gente enriquecia em
circunstâncias duvidosas. Ninguém sabia quem mandava e quem desmandava.
Muita sede e muita fome entre os miseráveis, que passavam fome, mas não
perdiam a sua tarde no Maracanã. E os governantes, assim como o Cristo
Redentor, permaneciam intactos perante as dívidas externas. O Ministro abria
os braços e o país abria as pernas ao FMI. Eis o Rio. Lotado de traficantes
e travestis.


Setor 3
Diretas Já!!!

Veio Tancredo Neves, e a Nova República chegava para substituir uma outra,
já feita por João anteriormente, enquanto Tancredo, tão cedo ia embora,
devido a uma doença, diagnosticada pela “avançadíssima” medicina como
Diverticulite (inflamação nos pulmões). Seria um “fantasma” que seria
Presidente? E a Nova República acabou sendo pior que a velha, diziam que
seria processada por plágio pela mesma.

“A luz no túnel não passou de decepção.
De uma moto maranhense em contra-mão”

O Povo andava preocupado. Não pela ausência de Tancredo, mas sim pelo
excesso de saúde de Sarney. Porém, não era apenas Tancredo que estava
doente. Mas uma nação órfã do simpático presidente, substituído por uma
política retrógrada vinda do Maranhão.

Sarney lançava um novo pacote em pleno Carnaval. Verde-Esperança, assim como
era o sentimento do povo. Parecia que a alegria estava voltando, porém o
“tesão” do Pacote acabara furando pois os mesmos rasgaram o pacote devido a
inflação. Aumento de preços, avião, gasolina e impostos. Não para o
Presidente, que viaja para ver o Papa e receber um passe de uma Mãe-de-Santo
em São Luís

Éramos todos fiscais de um país nem sempre varonil.

Setor 4
Um país Collorido...

Um país Collorido estava por vir. Cascatas, jet-sky, aviões particulares,
whiskies e viagens. E o povo é quem pagava tudo. Era um belo rapaz. Morando
na chamada Casa da Dinda. Belos ternos, festas e visitas... Até esporte
nosso herói praticava. Entre eles, o karatê, para praticar um golpe no bolso
do povo.

Eis o Super Collor, eleito pela nação em 1989, vencendo Lula no segundo
turno das eleições. Era o herói nacional, eleito no ano anterior, que deixou
todos em branco na conta bancária. Há quem diga que existia uma semelhança
entre Collor de Mello e o finado Tancredo Neves. Enquanto Tancredo morrida
de Diverticulite, Collor de Mello Diverte-se no cu da Elite.

E, diante todos os escândalos, pegaram a voz do Ministro Antônio Magri. Era
o popular “Imexível Bode Respiratório”, como denominava Juca Chaves. Em meio
a fitas, mesmo que mal gravadas com a voz do Ministro, havia a ironia que,
com tanta grana e investimentos envolvidos em suas declarações econômicas,
que gravadoras iriam lançá-la sua famosa fita escandalosa em CD…e a
pilantragem chegava até os nossos ouvidos.

Ah, a Honestidade….sentimento nobre que passa longe do brasileiro, como já
dizia a famosa frase:

“Por isso todo dia pra alegria do Brasil
Morre um ladrão e nascem dois”

Vão os honestos e ficam as conseqüências. Muita promessa e comoção dos
aposentados, que ficam exatamente apenas na promessa. Collor aplica um “69”
no bolso do povo, invertendo os valores. Pobre cada vez mais pobre, rico
cada vez mais rico. E na brincadeira, sobra até para as montadoras, com os
seus carros a álcool, chamados de carroças.

Collor acabara caindo e chegando um novo presidente. Então ministro, com seu
belo terninho, um pomposo topete e mastigando seu pão-de-queijo, eis, Itamar
Franco. Relança o “moderníssimo” fusca, seu sonho de consumo, muda ministros
numa alta freqüência e causa greves na Polícia Federal.

Em sua vida social, um amor caipira, entre Dona Norma e a famosa
Sem-Calcinha do Camarote do Carnaval. Assim, mostra o povo porquê o país vai
pra baixo, e seu topete, cada vez mais pra cima.

“Ah Presidente Itamar
Como disse o Chico Anysio no ar
O Povo só tem 3 problemas
Café, Almoço e Jantar”

Finalizando a obra, veio o “inteligente” Plebiscito. Ah, a nova moda do
brasileiro! Qual seria o regime ideal: Presidencialismo, Parlamentarismo ou
uma Monarquia? A TV alimentava a discussão enquanto o governo aumentava a
raiva do povo. Afinal, votar pra quê? Para escolher um Presidente, você
escolhe um deputado, que acaba virando oposição. Ou então a gloriosa
Monarquia! Mas, votar num Rei? Que Piada! A Rainha sorri, o Rei tira, só pra
si, e ainda goza na gente.

E assim, Redescobrimos o Brasil numa viagem cheia de humor e muita cara de
pau. E, é nesta irreverência que a Sociedade se prepara para fazer, tão
Jucamente, um Carnaval inesquecível. Assim como os momentos cantados aqui.

Bom Carnaval!


Juca Chaves, por Luís Butti
Carnavalesco do G.R.C.E.S.V. Sociedade Império Soberano