MIGUEL PAUL
PRESIDENTE DE HONRA

ARTHUR MACEDO
PRESIDENTE EXECUTIVO

 

SINOPSE JARDIM GUARANI 2006

 

"Caminhos de Ouro – O Resgate da Memória, Freguesia do Ó, 426 Anos de História"

 

Justificativa do enredo

Este enredo é uma homenagem a um dos bairros mais antigos da cidade de São Paulo, vamos mostrar os caminhos do ouro, e resgatar do passado uma linda e fascinante história.

A Freguesia do Ó, que teve um passado muito importante, serviu de rota para os Bandeirantes que partiam do centro de São Paulo de Piratininga em busca do tão cobiçado ouro no Pico do Jaraguá.

Vamos fazer uma bela viagem pela história desse bairro, que até hoje tem um aspecto de cidade do interior, no meio dessa selva de pedra.


Sinopse


"As mais belas paisagens com campos floridos, os mais belos e encantadores rios, só havia os índios e os animais, na desconhecida Freguesia, antes da chegada dos homens brancos á aquela terra indígena tão querida”.

O bairro da Freguesia do Ó foi fundado por Manuel Preto, o Bandeirante, em 1580, portanto 26 anos após a fundação de São Paulo de Piratininga.

Manuel Preto era um destemido bandeirante que participou ativamente da expansão da fronteiras do sul do Brasil – denominado herói de Guairá por se haver distinguido no ataque e destruição dessa cidade espanhola na margem do rio Paraná. Não há como negar-lhe a coragem, a disposição para aventura e para o trabalho. Era um desbravador nato que se enquadrava perfeitamente dentro do espírito expansionista.

Manuel Preto tratava de forma desumana os índios que serviam como escravos em sua fazenda. Melhor tratamento não era dispensado aos escravos negros que vieram trabalhar nos canaviais existentes. Sabe-se que Manuel Preto quando chegou a Freguesia do Ó, trouxe 155 escravos e 18 deles estavam com a boca costurada. Os negros tinham como meta à fuga, dado o alto grau de tortura e humilhação que passavam.

Os quilombos solidificaram-se na clandestinidade contribuindo decisivamente para a libertação dos escravos em 13 de maio de 1888. Há notificação que havia um quilombo na estrada do Congo (hoje a Avenida Elizio Teixeira Leite), para onde os escravos fugiam.

Era uma época de heróis e aventureiros. A pé ou a cavalo, homens desbravavam um Brasil recém descoberto à procura de riquezas e conquistas individuais.

Em São Paulo, reduto dos Bandeirantes, a região funcionava como rota obrigatória dos que procurava pelo ouro. O ponto final dessa busca era o Pico do Jaraguá, onde se encontravam as maiores reservas do país.

Para construir a primeira capela, Manuel Preto teve que obter a autorização da Santa Sé, doando ao Vaticano as terras onde instalou a capela, além de alguns bens materiais, como gado e plantação. Com a autorização da Santa Fé, foi construída a primeira capela que era uma necessidade dos antigos moradores, que anteriormente tinha que se deslocar até a catedral da Sé para participar das missas.

A primeira missa ocorreu no dia 18 de setembro de 1610, na então capela Nossa Senhora da Esperança.

A igreja construída em 1794, acabou se arruinando pela ação do tempo e foi abandonada, dando lugar a uma outra, feita de taipas, no Largo da Matriz Velha, e esta acabou sucumbindo a um incêndio em 1896, quando um sacristão, ao queimar um enxame de abelhas, causou a destruição. Por longo tempo as cerimônias religiosas foram celebradas na sacristia, que se salvara. Foi, porém, no ato da reconstrução, que se pode notar a união do grupo e o empenho particular de cada um dos cidadãos óenses.

Os moradores conseguiram, unindo esforços, edificar uma igreja em quatro anos. A sagração deu-se a 27 de janeiro de 1901. A invocação da igreja, que passou a se chamar Nossa Senhora do Ó.

A pesca teve período áureo na Freguesia do Ó, primava pelos meandros que possuía, onde lagos consideráveis eram formados na época da chuva o que privilegiava a pesca.

Nos primórdios da Freguesia do Ó, a atividade econômica principal da população era a agricultura, exercida através da plantação de cana de açúcar.

No final do cultivo a cana-de-açúcar foi utilizada para fazer à famosa "Caninha do Ó". O Sitio de Thimoteo de Oliveira Simões, foi o primeiro fabricante da cachaça, uma das mais antigas do Brasil e depois a fabricação se estendeu por quase todos os sítios da região.

A beleza natural da Freguesia do Ó, de outrora atraía moradores de boa renda que passavam temporada em suas casas de veraneio. A beleza de suas paisagens atraia com freqüência estudiosos europeus, que se encantavam com a diversidade da fauna e flora local.

A Freguesia do Ó permaneceu isolada do crescimento de São Paulo até a década de 20. Era uma terra de solo fértil, abrigada dos inconvenientes e frios ventos sulinos pelo espigão divisor da bacia dos Rios Pinheiros e Tamanduatei.

Mas foi a partir de então que ela começou a passar por profundas transformações econômicas, urbanas e sociais. O deslocamento populacional, a industrialização, a especulação imobiliária que é o reflexo do poder econômico, que vão trazer as grandes modificações espaciais do local.

Com o final da escravidão, a imigração européia para o Brasil, o advento da migração interna, com a chegada dos nordestinos a São Paulo, não deixaram a Freguesia fora do processo de urbanização acelerado que se deu a partir de então, recebendo as principais correntes imigratórias: Japoneses, portugueses, espanhóis, eslavos, etc.

No início deste século, com a chegada dos imigrantes havia na Freguesia do Ó apenas um armazém de secos e molhados, pertencente a Francisco Siqueira (Chico da Loja), no Largo da Matriz Nova.

Já em 1914, foi aberto pelos Margine o primeiro grande armazém na atual Avenida Nossa Senhora do Ó (conhecida na época como Caminho do Limão), esquina com Avenida Santa Marina; em 1915, Pieroni abre seu açougue, seguido de Zampierri e Pilli, que abrem também seus armazéns. Sr. Zuani abre, em 1930, um moinho de fubá. A primeira padaria é de 1920, aberta por André Marchini. Antes, o pão era fabricado em casa ou vinha do bairro da Água Branca. A primeira bomba de gasolina foi instalada em 1925, junto ao armazém dos Marchinis.

Como se vê, os imigrantes europeus marcaram presença no início da atividade comercial do Ó.

Hoje temos um dos mais fortes comércios, onde encontramos de tudo e somos muito orgulhosos disto. Pois foram conquistas que custaram muitos esforços juntos.
A iluminação publica veio substituir os lampiões de querosene, que iluminavam das 19 às 21 horas. O largo da Matriz foi beneficiado pela iluminação em 1915.

Até 1920, era muito utilizado o transporte fluvial, através do Rio Cabuçu e Tietê. Outro meio de transporte utilizado era o puxado por animais: Charretes, carroças e carros de boi, que levavam a famosa aguardente "Especial Caninha do Ó" para ser vendida no centro da cidade.

O Primeiro automóvel a percorrer o bairro foi um Motoblock, em 1901. E pertencia à dona Veridiana Prado, socialite da época.

A primeira companhia de transporte na região funcionou de 1936 a 1947, quando foi encampada pela CMTC.

Originalmente a Freguesia do Ó não teve muitas indústrias e as que tiveram sua evolução alcançaram o apogeu após a década de 30.

As primeiras indústrias dos tempos idos da Freguesia do Ó foram os alambiques, as olarias, porto de areia.

Após 1930, vieram para cá incontáveis indústrias, que se quiséssemos mencionar todas não conseguiríamos.

Em matéria de política, a Freguesia de então era dominada, até 1934, pela figura de Tristão Alves de Siqueira, mais conhecido como Nhõ Tristão, pertencente ao Partido Republicano, e pelo seu oponente, Dr. Manoel Lopes.

No período do governo Adhemar de Barros, como interventores em São Paulo, tiveram início os chamados "chefes de quarteirão", uma espécie de "dedo-duro" oficial, onde certas pessoas do bairro agiam como vigilantes da ordem, mas eram constantemente satirizadas pela população, que lhes colocavas apelidos jocosos.

Benedito Luis Ribeiro, seu Lilico, um dos moradores mais antigos da Freguesia, guarda em sua memória, pequenas histórias, algumas engraçadas, ele diz que o nome da Freguesia ganhou o "Ó" como complemento, devido a um susto que o Bandeirante Manoel Preto levou ao se deparar com uma quantidade imensurável de ratos, tendo repetido um sonoro "Ó", dando origem ao nome da região. Mas isso é lenda todos sabem que o nome surgiu em homenagem a Nossa Senhora do Ó.

As festas da igreja é tradição, as quermesses, as novenas, a folia de reis, a festa da padroeira e a festa do divino, são manifestações populares aguardadas ansiosamente por todos.

O bairro já ganhou até música de Gilberto Gil ("eu sou da periferia, eu sou da Freguesia do Ó"), um livro "Freguesia do Ó – O inquérito que desmascarou as brigas de Paulo Maluf" do autor Fernando de Morais, nesse livro conta um episódio muito importante do bairro, Paulo Salim Maluf na pratica do seu "governo itinerante" no comício do dia 21 de junho de 1980 na freguesia do Ó; de cima do palanque fazia vistas grossas ao que acontecia aos populares que lá levaram suas reivindicações e eram duramente espancados.

Agitada a noite pelos barzinhos, restaurantes e pizzarias, guarda traços do passado, com construções antigas e as ladeiras de onde se tem a visão da grande cidade que, moderna, lhe serve de contraste.

Em fim vamos comemorar os 426 anos de história, levando a Freguesia do Ó para o mundo, em uma nave espacial, e comemorar esta grande festa de aniversário.


Kleber Vilches - Carnavalesco