SINOPSE
JARDIM GUARANI 2006
"Caminhos
de Ouro – O Resgate da Memória, Freguesia do Ó,
426 Anos de História"
Justificativa
do enredo
Este enredo é uma homenagem a um dos bairros mais antigos
da cidade de São Paulo, vamos mostrar os caminhos do ouro,
e resgatar do passado uma linda e fascinante história.
A Freguesia do Ó, que teve um passado muito importante,
serviu de rota para os Bandeirantes que partiam do centro de São
Paulo de Piratininga em busca do tão cobiçado ouro
no Pico do Jaraguá.
Vamos fazer uma bela viagem pela história desse bairro,
que até hoje tem um aspecto de cidade do interior, no meio
dessa selva de pedra.
Sinopse
"As mais belas paisagens com campos floridos, os mais belos
e encantadores rios, só havia os índios e os animais,
na desconhecida Freguesia, antes da chegada dos homens brancos
á aquela terra indígena tão querida”.
O bairro da Freguesia do Ó foi fundado por Manuel Preto,
o Bandeirante, em 1580, portanto 26 anos após a fundação
de São Paulo de Piratininga.
Manuel Preto era um destemido bandeirante que participou ativamente
da expansão da fronteiras do sul do Brasil – denominado
herói de Guairá por se haver distinguido no ataque
e destruição dessa cidade espanhola na margem do
rio Paraná. Não há como negar-lhe a coragem,
a disposição para aventura e para o trabalho. Era
um desbravador nato que se enquadrava perfeitamente dentro do
espírito expansionista.
Manuel Preto tratava de forma desumana os índios que serviam
como escravos em sua fazenda. Melhor tratamento não era
dispensado aos escravos negros que vieram trabalhar nos canaviais
existentes. Sabe-se que Manuel Preto quando chegou a Freguesia
do Ó, trouxe 155 escravos e 18 deles estavam com a boca
costurada. Os negros tinham como meta à fuga, dado o alto
grau de tortura e humilhação que passavam.
Os quilombos solidificaram-se na clandestinidade contribuindo
decisivamente para a libertação dos escravos em
13 de maio de 1888. Há notificação que havia
um quilombo na estrada do Congo (hoje a Avenida Elizio Teixeira
Leite), para onde os escravos fugiam.
Era uma época de heróis e aventureiros. A pé
ou a cavalo, homens desbravavam um Brasil recém descoberto
à procura de riquezas e conquistas individuais.
Em São Paulo, reduto dos Bandeirantes, a região
funcionava como rota obrigatória dos que procurava pelo
ouro. O ponto final dessa busca era o Pico do Jaraguá,
onde se encontravam as maiores reservas do país.
Para construir a primeira capela, Manuel Preto teve que obter
a autorização da Santa Sé, doando ao Vaticano
as terras onde instalou a capela, além de alguns bens materiais,
como gado e plantação. Com a autorização
da Santa Fé, foi construída a primeira capela que
era uma necessidade dos antigos moradores, que anteriormente tinha
que se deslocar até a catedral da Sé para participar
das missas.
A primeira missa ocorreu no dia 18 de setembro de 1610, na então
capela Nossa Senhora da Esperança.
A igreja construída em 1794, acabou se arruinando pela
ação do tempo e foi abandonada, dando lugar a uma
outra, feita de taipas, no Largo da Matriz Velha, e esta acabou
sucumbindo a um incêndio em 1896, quando um sacristão,
ao queimar um enxame de abelhas, causou a destruição.
Por longo tempo as cerimônias religiosas foram celebradas
na sacristia, que se salvara. Foi, porém, no ato da reconstrução,
que se pode notar a união do grupo e o empenho particular
de cada um dos cidadãos óenses.
Os moradores conseguiram, unindo esforços, edificar uma
igreja em quatro anos. A sagração deu-se a 27 de
janeiro de 1901. A invocação da igreja, que passou
a se chamar Nossa Senhora do Ó.
A pesca teve período áureo na Freguesia do Ó,
primava pelos meandros que possuía, onde lagos consideráveis
eram formados na época da chuva o que privilegiava a pesca.
Nos primórdios da Freguesia do Ó, a atividade econômica
principal da população era a agricultura, exercida
através da plantação de cana de açúcar.
No final do cultivo a cana-de-açúcar foi utilizada
para fazer à famosa "Caninha do Ó". O
Sitio de Thimoteo de Oliveira Simões, foi o primeiro fabricante
da cachaça, uma das mais antigas do Brasil e depois a fabricação
se estendeu por quase todos os sítios da região.
A beleza natural da Freguesia do Ó, de outrora atraía
moradores de boa renda que passavam temporada em suas casas de
veraneio. A beleza de suas paisagens atraia com freqüência
estudiosos europeus, que se encantavam com a diversidade da fauna
e flora local.
A Freguesia do Ó permaneceu isolada do crescimento de São
Paulo até a década de 20. Era uma terra de solo
fértil, abrigada dos inconvenientes e frios ventos sulinos
pelo espigão divisor da bacia dos Rios Pinheiros e Tamanduatei.
Mas foi a partir de então que ela começou a passar
por profundas transformações econômicas, urbanas
e sociais. O deslocamento populacional, a industrialização,
a especulação imobiliária que é o
reflexo do poder econômico, que vão trazer as grandes
modificações espaciais do local.
Com o final da escravidão, a imigração européia
para o Brasil, o advento da migração interna, com
a chegada dos nordestinos a São Paulo, não deixaram
a Freguesia fora do processo de urbanização acelerado
que se deu a partir de então, recebendo as principais correntes
imigratórias: Japoneses, portugueses, espanhóis,
eslavos, etc.
No início deste século, com a chegada dos imigrantes
havia na Freguesia do Ó apenas um armazém de secos
e molhados, pertencente a Francisco Siqueira (Chico da Loja),
no Largo da Matriz Nova.
Já em 1914, foi aberto pelos Margine o primeiro grande
armazém na atual Avenida Nossa Senhora do Ó (conhecida
na época como Caminho do Limão), esquina com Avenida
Santa Marina; em 1915, Pieroni abre seu açougue, seguido
de Zampierri e Pilli, que abrem também seus armazéns.
Sr. Zuani abre, em 1930, um moinho de fubá. A primeira
padaria é de 1920, aberta por André Marchini. Antes,
o pão era fabricado em casa ou vinha do bairro da Água
Branca. A primeira bomba de gasolina foi instalada em 1925, junto
ao armazém dos Marchinis.
Como se vê, os imigrantes europeus marcaram presença
no início da atividade comercial do Ó.
Hoje temos um dos mais fortes comércios, onde encontramos
de tudo e somos muito orgulhosos disto. Pois foram conquistas
que custaram muitos esforços juntos.
A iluminação publica veio substituir os lampiões
de querosene, que iluminavam das 19 às 21 horas. O largo
da Matriz foi beneficiado pela iluminação em 1915.
Até 1920, era muito utilizado o transporte fluvial, através
do Rio Cabuçu e Tietê. Outro meio de transporte utilizado
era o puxado por animais: Charretes, carroças e carros
de boi, que levavam a famosa aguardente "Especial Caninha
do Ó" para ser vendida no centro da cidade.
O Primeiro automóvel a percorrer o bairro foi um Motoblock,
em 1901. E pertencia à dona Veridiana Prado, socialite
da época.
A primeira companhia de transporte na região funcionou
de 1936 a 1947, quando foi encampada pela CMTC.
Originalmente a Freguesia do Ó não teve muitas indústrias
e as que tiveram sua evolução alcançaram
o apogeu após a década de 30.
As primeiras indústrias dos tempos idos da Freguesia do
Ó foram os alambiques, as olarias, porto de areia.
Após 1930, vieram para cá incontáveis indústrias,
que se quiséssemos mencionar todas não conseguiríamos.
Em matéria de política, a Freguesia de então
era dominada, até 1934, pela figura de Tristão Alves
de Siqueira, mais conhecido como Nhõ Tristão, pertencente
ao Partido Republicano, e pelo seu oponente, Dr. Manoel Lopes.
No período do governo Adhemar de Barros, como interventores
em São Paulo, tiveram início os chamados "chefes
de quarteirão", uma espécie de "dedo-duro"
oficial, onde certas pessoas do bairro agiam como vigilantes da
ordem, mas eram constantemente satirizadas pela população,
que lhes colocavas apelidos jocosos.
Benedito Luis Ribeiro, seu Lilico, um dos moradores mais antigos
da Freguesia, guarda em sua memória, pequenas histórias,
algumas engraçadas, ele diz que o nome da Freguesia ganhou
o "Ó" como complemento, devido a um susto que
o Bandeirante Manoel Preto levou ao se deparar com uma quantidade
imensurável de ratos, tendo repetido um sonoro "Ó",
dando origem ao nome da região. Mas isso é lenda
todos sabem que o nome surgiu em homenagem a Nossa Senhora do
Ó.
As festas da igreja é tradição, as quermesses,
as novenas, a folia de reis, a festa da padroeira e a festa do
divino, são manifestações populares aguardadas
ansiosamente por todos.
O bairro já ganhou até música de Gilberto
Gil ("eu sou da periferia, eu sou da Freguesia do Ó"),
um livro "Freguesia do Ó – O inquérito
que desmascarou as brigas de Paulo Maluf" do autor Fernando
de Morais, nesse livro conta um episódio muito importante
do bairro, Paulo Salim Maluf na pratica do seu "governo itinerante"
no comício do dia 21 de junho de 1980 na freguesia do Ó;
de cima do palanque fazia vistas grossas ao que acontecia aos
populares que lá levaram suas reivindicações
e eram duramente espancados.
Agitada a noite pelos barzinhos, restaurantes e pizzarias, guarda
traços do passado, com construções antigas
e as ladeiras de onde se tem a visão da grande cidade que,
moderna, lhe serve de contraste.
Em fim vamos comemorar os 426 anos de história, levando
a Freguesia do Ó para o mundo, em uma nave espacial, e
comemorar esta grande festa de aniversário.
Kleber Vilches - Carnavalesco