SINOPSE
IMPÉRIO DA ZONA NORTE 2006
"Daomé
das Amazonas... Um Sopro de Liberdade"
África...
Negra África... Continente pelo qual Castro Alves através
de versos suplicou pela liberdade... E se Deus estava escondido
ao renegar a liberdade ao negro, foi com o soprar dos ventos que
ele a devolveu... Foi o mesmo vento que conduziu os navios negreiros
ao Brasil que implantou o ideal da liberdade.
Sinopse de Enredo:
I – TRÁFICO DE GENTE
África,
oh triste África... Se pudesse ser a tua história
contada apenas por fatos bons... No final do século XVIII
o tráfico de escravos tirava a liberdade dos negros africanos,
trocando-a pelo açoite. Naquela época as guerras
entre o reino de Daomé e as regiões limítrofes,
como Oyo, na atual Nigéria, Allada, tinham dois motivos
básicos: a conquista de terras para ampliar a área
de domínio e garantir uma estrutura de posse ao governo
e, principalmente, a posse de escravos, cuja venda aos brancos
proporcionava armas e munições com as quais podiam
obter mais territórios e ainda mais escravos, perpetuando
esse ciclo. Esses prisioneiros de guerra que eram trazidos ao
Brasil e mais uma vez feito de escravos, ainda que longe de sua
terra natal.
II
– O DAOMÉ DAS AMAZONAS
Dentre
seus vários reis, foi com Agadja (1708–1732) que
Daomé conquistou a sua soberania internacional... Sopra
aí a libertação... Libertação
do colonialismo imposto às custas de muito sangue; fronteiras
demarcadas com sangue... Mesmo assim, estando livre das crueldades,
ainda continuava o lamento de dor da guerra. Foi esse rei que
destruiu e anexou Allada, um território vizinho. Num momento
decisivo dessa guerra, como lhe faltavam soldados, o rei Agadja
criou um corpo de tropa feminina, as famosas amazonas. Eram virgens
ou mulheres que haviam optado pelo celibato. Elas diziam de si
próprias: “Nós somos homens”. As amazonas
eram lançadas na batalha nos momentos difíceis para
ganhar o apoio do “deus dos combates”. Bem armadas
cada uma com um pequeno mosquete e um sabre curto com bainha de
veludo, eram valentes. Eram 4000 guerreiras, as virgens de Daomé,
valentes guarda-costas do monarca, imóveis nas camisas
de guerra, com a carabina e o espadim na mão, mas prontas
a jogar-se sobre o inimigo ao primeiro sinal do chefe.
III
– O SONHO
As
valentes amazonas tinham o preciso comando de uma princesa. Uma
bela princesa que jamais hesitou em deixar de lutar ao lado de
suas comandadas. Estavam sempre juntas e alem de obediência,
havia uma forte amizade entre elas. Fui num dia em que a tropa
estava formada no pátio da corte, que a virgem comandante
das amazonas, a princesa Adansi, se encantou por outro, também
de sangue real, o príncipe Ogandozan. Muitos foram os encontros
e as juras de amor, até que o amado da princesa foi pego
como prisioneiro e escravizado, trazido ao Brasil, onde o vento
da libertação soprava parecendo não querer
conduzir aquele navio negreiro às terras de nosso país.
IV
– A DESCOBERTA DA DOR...
Este
acontecimento angustiou profundamente a princesa-comandante, mais
do que se ele tivesse morrido como um herói num combate.
A princesa sentiu em si mesma como o sistema de escravidão
era cruel e injusto, ela que outras vezes ajudara o seu rei a
conquistar escravos. Agora, a princesa ouvia o vento soprando
o lamento de dor dos escravos... A forma como se dera a perda
do homem que amava despertou em seu espírito uma revolta
incontida contra a escravidão, imposta aos homens mais
validos física e emocionalmente. Com a energia que havia
impelido a lutar nos campos de batalha, decidiu iniciar uma luta
para acabar com o sistema de escravidão. De boa fé,
foi ao encontro do rei e condenou a escravidão, alertando
que se o rei abolisse o sistema, seria um soberano de primeira
grandeza, mas o rei recusou com veemência.
V
– A LUTA PELA LIBERTAÇÃO
No
entanto, se a prática tão difundida hoje em dia
de se armarem manifestações pelas ruas das cidades
para lutar por uma idéia não era conhecida naquela
época, constituiria uma temeridade pública ir contra
os preceitos do rei, mas foi então que o vento da liberdade
soprou uma idéia à princesa comandante, que chegou
à conclusão de que só lhe restava adotar
uma tática de combate hoje chamada de guerrilha.
Após
ter convencido e motivado suas próprias comandadas, as
amazonas, e arregimentando outras que aderiram à sua causa,
embrenhou-se pelo mato adentro, escondendo-se quando necessário
em palmeiras e assim, conquistando aldeias e libertando escravos.
Seu objetivo inicial era criar obstáculos às forças
do rei que se dispunham a combater os povos vizinhos com a missão
bem definida de “caça ao homem”. Chegou assim
a se colocar entre dois exércitos que iam se afrontar,
quando foi encurralada pelas tropas do rei, que eram mais aguerridas.
Caiu em uma emboscada e sua tropa foi dizimada. Nesse momento
o vento ecoou um lamento de dor nos ares. A princesa foi levada
ao rei e este a condenou à morte. Como não se podia
“verter sangue real”, decidiu ele impor um dos suplícios
adotados, que a princesa fosse colocada em um saco, amarrada em
uma pedra e jogada à água. Para que a condenação
servisse de exemplo, a execução foi prevista para
a madrugada do dia seguinte, em cerimônia assistida pelo
povo.
VI
– A RESISTÊNCIA
Na
noite que antecedeu o triste acontecimento, ventava muito... Era
mais uma vez o vento da liberdade... Foi então que uma
das comandadas que havia conseguido fugir e era quase sósia
da princesa, pela qual tinha verdadeira veneração,
solicitou ardentemente que ela lhe desse a honra de substituí-la
sacrificando-se no seu lugar. Que nobre exemplo de coragem e dedicação
em prol de um sonho de liberdade. Depois de muita relutância,
a princesa-comandante aceitou, não por covardia, mas para
poder continuar a luta em busca da liberdade. Era noite alta quando
foi feita a troca e ao vento da liberdade, consegui fugir com
o auxilio de guardas que eram adeptos da luta. Com o auxílio
daquelas sequazes que se haviam salvado e de outras por estas
arregimentadas, criou ela um novo valente corpo de tropa. Recomeçou
a luta, que a cada soprar dos ventos se tornava mais difícil
e violenta, pois o rei decidira eliminar a qualquer custo a virgem
que viesse contra seus interesses.
VII
– SOPRO DE LIBERDADE
Então,
a cada batalha, o vento parecia assoviar um lamento, parecia que
chorava ao ver as amazonas sendo a cada dia arrasadas e eliminadas,
uma a uma, até que certo dia foi a vez da princesa-comandante,
que tentou suicidar-se para não cair nas mãos dos
inimigos, mas não houve como e Adansi foi levada ao rei,
que mais uma vez, a condenou à morte. O rei, furioso, a
condenou a ser enterrada viva em frente ao palácio. E isso
aconteceu. A cada grão de areia que era retirado do local,
o vento soprava e ia aumentando uma nuvem de poeira... Parecia
que queria impedir que a jovem fosse sacrificada. Mas não
houve como...
Algum
tempo depois, no exato local onde a princesa foi enterrada, cresceu
uma árvore frondosa, um belo “fromager” (árvore
africana semelhante à paineira). A árvore cresceu
em frente ao palácio, conquistando sua liberdade apesar
das condições adversas. E até hoje a árvore
está lá, imponente. Mais de duzentos anos após
o feito, a cada sopro da liberdade, a árvore lança
suas fibras sedosas e brancas, como algodão, ao vento...
Bailando pelo vento, os flocos de algodão dançam
livres pelos ares, como se cada um deles fosse a alma de uma amazona,
conquistando a sua liberdade, o presente que a princesa, com seus
troncos fortes, onde corre a seiva da libertação,
lhes deu pelo exemplo... que desejamos seja seguido. Que cada
floco da árvore de Adansi possa servir como semente para
uma nova árvore de esperança, levado pelo vento
libertador... Vento que semeia a igualdade entre as raças
e os sexos, que promove a chama da esperança no coração
de um povo sofredor.
Autores:
Guilherme Dourado e Daniel Barbosa