MIGUEL PAUL
PRESIDENTE DE HONRA

ARTHUR MACEDO
PRESIDENTE EXECUTIVO

 

SINOPSE IMPÉRIO DA ZONA NORTE 2006

 

"Daomé das Amazonas... Um Sopro de Liberdade"

 

África... Negra África... Continente pelo qual Castro Alves através de versos suplicou pela liberdade... E se Deus estava escondido ao renegar a liberdade ao negro, foi com o soprar dos ventos que ele a devolveu... Foi o mesmo vento que conduziu os navios negreiros ao Brasil que implantou o ideal da liberdade.


Sinopse de Enredo:

I – TRÁFICO DE GENTE

África, oh triste África... Se pudesse ser a tua história contada apenas por fatos bons... No final do século XVIII o tráfico de escravos tirava a liberdade dos negros africanos, trocando-a pelo açoite. Naquela época as guerras entre o reino de Daomé e as regiões limítrofes, como Oyo, na atual Nigéria, Allada, tinham dois motivos básicos: a conquista de terras para ampliar a área de domínio e garantir uma estrutura de posse ao governo e, principalmente, a posse de escravos, cuja venda aos brancos proporcionava armas e munições com as quais podiam obter mais territórios e ainda mais escravos, perpetuando esse ciclo. Esses prisioneiros de guerra que eram trazidos ao Brasil e mais uma vez feito de escravos, ainda que longe de sua terra natal.

II – O DAOMÉ DAS AMAZONAS

Dentre seus vários reis, foi com Agadja (1708–1732) que Daomé conquistou a sua soberania internacional... Sopra aí a libertação... Libertação do colonialismo imposto às custas de muito sangue; fronteiras demarcadas com sangue... Mesmo assim, estando livre das crueldades, ainda continuava o lamento de dor da guerra. Foi esse rei que destruiu e anexou Allada, um território vizinho. Num momento decisivo dessa guerra, como lhe faltavam soldados, o rei Agadja criou um corpo de tropa feminina, as famosas amazonas. Eram virgens ou mulheres que haviam optado pelo celibato. Elas diziam de si próprias: “Nós somos homens”. As amazonas eram lançadas na batalha nos momentos difíceis para ganhar o apoio do “deus dos combates”. Bem armadas cada uma com um pequeno mosquete e um sabre curto com bainha de veludo, eram valentes. Eram 4000 guerreiras, as virgens de Daomé, valentes guarda-costas do monarca, imóveis nas camisas de guerra, com a carabina e o espadim na mão, mas prontas a jogar-se sobre o inimigo ao primeiro sinal do chefe.

III – O SONHO

As valentes amazonas tinham o preciso comando de uma princesa. Uma bela princesa que jamais hesitou em deixar de lutar ao lado de suas comandadas. Estavam sempre juntas e alem de obediência, havia uma forte amizade entre elas. Fui num dia em que a tropa estava formada no pátio da corte, que a virgem comandante das amazonas, a princesa Adansi, se encantou por outro, também de sangue real, o príncipe Ogandozan. Muitos foram os encontros e as juras de amor, até que o amado da princesa foi pego como prisioneiro e escravizado, trazido ao Brasil, onde o vento da libertação soprava parecendo não querer conduzir aquele navio negreiro às terras de nosso país.

IV – A DESCOBERTA DA DOR...

Este acontecimento angustiou profundamente a princesa-comandante, mais do que se ele tivesse morrido como um herói num combate. A princesa sentiu em si mesma como o sistema de escravidão era cruel e injusto, ela que outras vezes ajudara o seu rei a conquistar escravos. Agora, a princesa ouvia o vento soprando o lamento de dor dos escravos... A forma como se dera a perda do homem que amava despertou em seu espírito uma revolta incontida contra a escravidão, imposta aos homens mais validos física e emocionalmente. Com a energia que havia impelido a lutar nos campos de batalha, decidiu iniciar uma luta para acabar com o sistema de escravidão. De boa fé, foi ao encontro do rei e condenou a escravidão, alertando que se o rei abolisse o sistema, seria um soberano de primeira grandeza, mas o rei recusou com veemência.

V – A LUTA PELA LIBERTAÇÃO

No entanto, se a prática tão difundida hoje em dia de se armarem manifestações pelas ruas das cidades para lutar por uma idéia não era conhecida naquela época, constituiria uma temeridade pública ir contra os preceitos do rei, mas foi então que o vento da liberdade soprou uma idéia à princesa comandante, que chegou à conclusão de que só lhe restava adotar uma tática de combate hoje chamada de guerrilha.

Após ter convencido e motivado suas próprias comandadas, as amazonas, e arregimentando outras que aderiram à sua causa, embrenhou-se pelo mato adentro, escondendo-se quando necessário em palmeiras e assim, conquistando aldeias e libertando escravos. Seu objetivo inicial era criar obstáculos às forças do rei que se dispunham a combater os povos vizinhos com a missão bem definida de “caça ao homem”. Chegou assim a se colocar entre dois exércitos que iam se afrontar, quando foi encurralada pelas tropas do rei, que eram mais aguerridas. Caiu em uma emboscada e sua tropa foi dizimada. Nesse momento o vento ecoou um lamento de dor nos ares. A princesa foi levada ao rei e este a condenou à morte. Como não se podia “verter sangue real”, decidiu ele impor um dos suplícios adotados, que a princesa fosse colocada em um saco, amarrada em uma pedra e jogada à água. Para que a condenação servisse de exemplo, a execução foi prevista para a madrugada do dia seguinte, em cerimônia assistida pelo povo.

VI – A RESISTÊNCIA

Na noite que antecedeu o triste acontecimento, ventava muito... Era mais uma vez o vento da liberdade... Foi então que uma das comandadas que havia conseguido fugir e era quase sósia da princesa, pela qual tinha verdadeira veneração, solicitou ardentemente que ela lhe desse a honra de substituí-la sacrificando-se no seu lugar. Que nobre exemplo de coragem e dedicação em prol de um sonho de liberdade. Depois de muita relutância, a princesa-comandante aceitou, não por covardia, mas para poder continuar a luta em busca da liberdade. Era noite alta quando foi feita a troca e ao vento da liberdade, consegui fugir com o auxilio de guardas que eram adeptos da luta. Com o auxílio daquelas sequazes que se haviam salvado e de outras por estas arregimentadas, criou ela um novo valente corpo de tropa. Recomeçou a luta, que a cada soprar dos ventos se tornava mais difícil e violenta, pois o rei decidira eliminar a qualquer custo a virgem que viesse contra seus interesses.

VII – SOPRO DE LIBERDADE

Então, a cada batalha, o vento parecia assoviar um lamento, parecia que chorava ao ver as amazonas sendo a cada dia arrasadas e eliminadas, uma a uma, até que certo dia foi a vez da princesa-comandante, que tentou suicidar-se para não cair nas mãos dos inimigos, mas não houve como e Adansi foi levada ao rei, que mais uma vez, a condenou à morte. O rei, furioso, a condenou a ser enterrada viva em frente ao palácio. E isso aconteceu. A cada grão de areia que era retirado do local, o vento soprava e ia aumentando uma nuvem de poeira... Parecia que queria impedir que a jovem fosse sacrificada. Mas não houve como...

Algum tempo depois, no exato local onde a princesa foi enterrada, cresceu uma árvore frondosa, um belo “fromager” (árvore africana semelhante à paineira). A árvore cresceu em frente ao palácio, conquistando sua liberdade apesar das condições adversas. E até hoje a árvore está lá, imponente. Mais de duzentos anos após o feito, a cada sopro da liberdade, a árvore lança suas fibras sedosas e brancas, como algodão, ao vento... Bailando pelo vento, os flocos de algodão dançam livres pelos ares, como se cada um deles fosse a alma de uma amazona, conquistando a sua liberdade, o presente que a princesa, com seus troncos fortes, onde corre a seiva da libertação, lhes deu pelo exemplo... que desejamos seja seguido. Que cada floco da árvore de Adansi possa servir como semente para uma nova árvore de esperança, levado pelo vento libertador... Vento que semeia a igualdade entre as raças e os sexos, que promove a chama da esperança no coração de um povo sofredor.

Autores: Guilherme Dourado e Daniel Barbosa