SINOPSE
IMPÉRIO DO VALE 2005
"Nos
Trilhos do Progresso: Uma Viagem Pela Estrada de Ferro Vitória-Minas"
Antes
de apresentar o enredo, “vale” lembrar que o nome
da agremiação remete ao percurso que a Estrada de
Ferro Vitória-Minas percorre ao longo do Rio Doce, denominado:
Vale do Rio Doce.
AUTOR: LUCAS S. DOS ANJOS MONTEIRO
SINOPSE
A curiosidade aguçada do homem fez com que ele se interessasse
em buscar, cada vez mais, novas formas de interagir com a natureza
e com o ambiente em que vivia. Mas, seu corpo se tornava frágil
e não suportava grandes viagens a pé, seus braços
não agüentavam nadar longas distâncias e nem
ao menos atravessar perigosos locais sem precisar tocar no chão.
Era preciso adaptar-se ao ambiente assim como os animais, que
podiam: correr, nadar e voar. E assim o homem criou diversas invenções
que lhe permitiram diminuir as distâncias entre os lugares.
“Da
Revolução Industrial aos trilhos brasileiros”
A Revolução Industrial, que se processou na Europa
e principalmente na Inglaterra a partir do século XIX .
Numerosos
inventos, surgidos no século XIX, permitiram um surto de
progresso nos meios de produção, que até
então eram dispersos em pequenas manufaturas. A utilização
das máquinas na fabricação de mercadorias
concentrou-se em grandes fábricas. Tal fenômeno ficou
conhecido como Revolução Industrial, e se processou
na Europa e principalmente na Inglaterra.
O
aumentou do volume de mercadorias e a necessidade de transportá-las
com rapidez, para os mercados consumidores fizeram com que os
empresários ingleses dessem apoio a Stephenson, que apresentou,
em 1814, um protótipo do que viria a ser a primeira locomotiva.
Vários mecânicos tornaram-se famosos por suas tentativas
de construir veículos que se assemelhassem às locomotivas,
entretanto, não obtiveram resultados satisfatórios.
George Stephenson foi o primeiro que obteve resultados concretos
com a construção de locomotivas, dando início
à Era das Ferrovias.
A
crescente demanda de transporte para os mais variados tipos de
cargas e a necessidade de atender, também, à movimentação
de passageiros, fez com que a ferrovia se tornasse o principal
meio de transporte em todos os países.
No
Brasil, a chegada de D. João VI propiciou grandes avanços,
como por exemplo, a abertura dos portos, o incremento do comércio
e a necessidade de aproveitar os recursos existentes, condicionando
o surgimento das estradas de ferro. A primeira tentativa foi no
Governo Regente Feijó, em 1835, sem resultados concretos,
entretanto.
A
primeira ferrovia brasileira, E. F. Mauá, foi inaugurada
por D. Pedro II, no dia 30 de abril de 1854 e era tracionada pela
locomotiva “Baronesa”, construída na Inglaterra
por William Fair Barin & Sons, em 1852.
A
tração elétrica foi empregada pela primeira
vez num bonde da Companhia Ferro Carril do Jardim Botânico,
que circulou no dia 8 de outubro de 1892, entre o Teatro Lírico,
na Cinelândia, e a Rua 2 de Dezembro, no Catete.
“O sonho de unir mar e sertão”
Uma das mais importantes estradas de ferro do país, a E.
F. Vitória-Minas foi idealizada cerca de um século
antes do início de sua construção, quando
o Intendente Câmara Bittencourt em 1808, com objetivo de
ligar Minas Gerais ao litoral brasileiro, permitindo a exportação
de sua produção mineral para os países europeus,
idealizou a ferrovia, mas chegou à falência sem poder
realizar seu sonho.
Ligar
o sertão mineiro ao mar tomou novo fôlego no final
do século XIX, quando o governo imperial, com o intuito
de incentivar a construção de estradas de ferro
no Brasil, baixou vários decretos concedendo privilégios
para a construção, uso e exploração
de ferrovias.
Utilizando
o traçado pensado pelo Intendente Câmara, em 1902,
já no Brasil República, foi expedido no dia 1º
de fevereiro o decreto determinando a construção
da Estrada de Ferro Vitória Diamantina. Foi criada, então
a Companhia Estrada de Ferro Vitória a Minas, tendo como
presidente o engenheiro João Teixeira Soares, e como um
dos diretores o engenheiro Dr. Pedro Nolasco da Cunha. A companhia
tinha como objetivo construir uma estrada para ligar o nordeste
e leste mineiro ao litoral capixaba, sendo construída do
litoral para o interior, sendo inaugurada em maio de 1904 sendo
utilizada para o transporte de madeira e café.
A
construção da ferrovia encontrou dificuldades, como
a existência de mata densa e as epidemias de malária,
mas isto não impediu sua construção e em
1908, a estrada de ferro já alcançava 313 km de
extensão. Neste ano, foram transportados 37.493 passageiros
e 15.399 toneladas de mercadorias.
“Novos rumos na história”
Mas um fato novo viria cruzar o caminho da Estrada de Ferro e
mudar toda a história: Era a realização do
XI Congresso Geológico Internacional em Estocolmo, na Suíça,
em 1908. Durante este encontro o Serviço Geológico
e Mineralógico Brasileiro fez uma explanação
sobre as nossas riquezas minerais e apontou que existiam, na região
de Itabira, poderosas reservas de minério com teor de 65%
de ferro, que ainda estavam intactas.
O mundo financeiro ocidental ficou surpreendido com as revelações
e os ingleses trataram logo de obter as jazidas de minério.
Em 1909, os ingleses compraram cerca de 42.000 ações
da Companhia, vislumbrando a necessidade de exportação
do nosso minério. Entretanto, era preciso mudar o trajeto
da estrada, desviando o ponto final de Diamantina para Itabira.
O
governo federal não colocou obstáculos para a alteração
do trajeto inicial da ferrovia, mas fez algumas exigências,
entre elas, que a Companhia construísse, à sua custa,
um estabelecimento de instalação aperfeiçoado,
capaz de produzir, utilizando o minério do país,
uma média mínima mensal de mil toneladas de produtos
brutos de ferro. O primeiro carregamento de minério de
ferro foi feito em abril de 1940, na Zona do Rio Doce, indo direto
para Inglaterra 5.740 toneladas de minério.
“A incorporação à CVRD”
Já em 42, com a política nacionalista de Getúlio
Vargas, a Companhia Brasileira de Mineração e Siderurgia
e a Companhia Estrada de Ferro Vitória Minas foram incorporadas
pela Companhia Vale do Rio Doce. Com sua política protecionista
o presidente Vargas baixou um decreto determinando que o presidente
da Vale só poderia ser brasileiro, podendo ter até
dois diretores brasileiros e dois diretores americanos.
Com a nova administração da Vale ficou constatada
a fragilidade da Estrada até ali construída, além
da precária condição em que se encontravam
as oficinas e material rodante de tração da Companhia.
Neste ano a estrada somava 562 km de linha, tendo 45 carros de
passageiros.
A
Vale começou a reestruturar a ferrovia abandonando 154
km de linha construídos entre Vitória e Colatina,
sendo adotado um novo trajeto de 129 km para o mesmo trecho, com
um encurtamento de 39 km da linha.
Mas
só em 1944 é que a estrada finalmente chegava a
Itabira, somando 559,112 km de linha. No ano de 1949 o transporte
anual de passageiros batia a marca de 1.070.208. E a companhia
já era responsável por 80% das exportações
brasileiras de minério de ferro. No mesmo ano foi criado
o Centro de Estudos Ferroviários, em Vitória, sob
orientação de Eliezer Batista da Silva.
“Implementação
dos Portos”
Em 1959, foi Inaugurado o cais do Paul, no Porto de Vitória,
por iniciativa da Vale e do governo do Espírito Santo,
sete anos depois seria inaugurado o Porto de Tubarão, o
maior porto exportador de minério de ferro do Brasil, com
fábricas em seu interior que transformam o minério
bruto em “pelets” (pequenas pelotas), que facilitam
a comercialização e a estocagem.
Hoje, a Estrada de Ferro Vitória-Minas é uma das
mais modernas e produtivas ferrovias brasileiras, transportando
37% de toda a carga ferroviária do país, fazendo
conexão com outras ferrovias integrando os estados de Minas
Gerais, Goiás, Espírito Santo, Mato Grosso, Mato
Grosso do Sul, Tocantins e pelo Distrito Federal, e tem acesso
privilegiado aos principais portos do Espírito Santo, entre
eles os de Tubarão e Praia Mole.
A
Ferrovia conta com 905Km, dispõe de 15.376 vagões
e 207 locomotivas e transporta atualmente, cerca de 110 milhões
de toneladas por ano, das quais 80% são minério
de ferro e 20% corresponde a mais de 60 diferentes tipos de produtos,
tais como aço, carvão, calcário, granito,
contêineres, ferro gusa, produtos agrícolas, madeira,
celulose, veículos e cargas diversas. A ferrovia tem cerca
de trezentos clientes.
A
Vitória-Minas é a maior em densidade de tráfego
e apresenta alguns dos melhores índices de produtividade,
resultado da segurança e eficiência que a colocam
entre as principais ferrovias do mundo. O segredo deste desempenho
está nos seus recursos humanos e nas modernas tecnologias
que emprega.
“Resgate
histórico aliado à modernização”
A antiga Estação Pedro Nolasco (anteriormente chamada
São Carlos), localizada às margens da Baía
de Vitória, hoje abriga o Museu Ferroviário Vale
do Rio Doce, inaugurado em 15 de outubro de 1998.
O
museu possui um rico acervo, destacando-se a velha Maria-Fumaça
do ano de 1925, o vagão de madeira, o trólei, o
telégrafo, o sino, fotografias, documentos, maquetes e
outros. Que destacam a fundamental importância que a ferrovia
tem no escoamento da produção de minério
de ferro e de outros produtos vindos de Minas Gerais.
O
edifício do museu foi tombado pelo Patrimônio Histórico
e o prédio pertence a Prefeitura Municipal de Vila Velha.
Além do Museu, em anexo existe um galpão destinado
às exposições de Arte Contemporânea.
A estação chegou a ficar desativada na década
de 60 e hoje, como museu tem uma média de visitação
anual de 180 mil pessoas.
Talvez
George Stephenson não imaginasse, em 1814, que seu invento
um dia mergulhasse pelo solo, passa-se em elevados, sobre nossas
cabeças, e se transformaria num importante veículo
para o transporte coletivo em quase todas as grandes cidades do
mundo.
As
locomotivas e as ferrovias não pararam, elas continuam
progredindo no tempo, incorporando os mais avançados meios
tecnológicos no transporte de passageiros e de cargas.
Hoje trens rápidos movidos a eletricidade ou à diesel
alcançam grandes velocidades.