SINOPSE
IMPERATRIZ PAULISTA 2006
“A
Arte Pela Arte - Pernambuco Você é Meu!”
Desenvolvido por: Arthur Macedo
APRESENTAÇÃO:
“Terra boa meu Pernambuco que faz
Frevo bom e maracatu tem mais
Banho em Beberibe cachaça gostosa
Mangaba cheirosa ai ai ai
Tudo isso minha terra tem (bis)
Tem rede macia pra gente sonhar
Buchada peixada, bate-bate pra enganchar
Tem morena formosa
Que o seu coração não me deu
Mas por isso não choro porque
Pernambuco você é meu”
Dos versos de Nelson Ferreira, dos sonhos que a brisa me deu.
Essa terra é de gente guerreira, “Pernambuco, Você
é Meu!” O Estado de Pernambuco já foi mostrado
por diversos ângulos, por diversas formas. Exaltar as belezas
desse pedaço de paraíso é obrigação
de cada um que tem sangue nobre oriundo de gente de fé,
de sertanejo arretado, de Nelson Ferreira, de Luiz Gonzaga, de
Paulo Freire e de tanta gente, mas tanta gente que nem cabe...Povo
de protesto e de paz, de amor e de luta. Esse povo que também
cria. Esse povo que faz a arte...
Na
maior manifestação artística existente no
universo, trazemos a arte do povo de Pernambuco. É a Arte
pela Arte! O palco do samba vira uma grande feira, aonde os artistas
populares vêm expor suas obras plásticas, musicais
ou simplesmente se expor! Na batida do repique, passa um boneco
de palha avisando que tem feira hoje. Toca um tamborim, “toca
aquela que agente gosta, seu Zé!”, avisa o dono da
barraca para a dupla de violeiros. O surdo caleja as mãos
que sangram...Assim como sangra a água do barro pronto
pra virar aquele bicho estranho que nem a lenda explica! Água
mesmo é aquela que sai dos olhos de quem vê essa
coisa tão profunda e tão simples desse povo que
só quer sobreviver. A arte da sobrevivência é
a arte que faz a arte viver. Na arte do samba, chega a arte de
Pernambuco!
SETOR
1: A Feira Começa Antes do Sol Raiar!
A
noite atinge o seu clímax...O sol ainda espera algumas
horas para dar o sinal de vida e iluminar tudo e todos (até
aqueles que não querem ser “iluminados”). Os
personagens que fazem o espetáculo árduo já
se preparam para levar a alegria e a espetacular arte da feira.
As barracas ainda estão amarradas nas lonas e cordões,
esperando seus donos para serem armadas. Tudo está sendo
preparado para a magia começar. Magia...Realmente, é
com mágica que se coloca uma feira para funcionar, para
encher de vida os corações de todos os pernambucanos
que serão exaltados pelas obras dos artistas da terra ainda
em seu anonimato.
O povo vem de jegue, de carroça, caminhões velhos,
carro de boi, motocicletas ou com a trouxa na cabeça. Tudo
é válido, tanto para os comerciantes quanto para
os compradores e apreciadores.
Tudo está começando. A passarela abre as portas
pra folia e a feira abre as portas pra magia. Bonecos, redes e
rendas são regidos pela música do pífano
e da viola. A feira começa! Toda a família trabalha
para sobreviver. A Arte da sobrevivência é a arte
que o povo exalta. Os meninos chegam com os carros de mão
para ajudar os compradores ou apreciadores da cultura popular.
Mãe e Pai ficam na barraca pra vender. Todos trabalham
pra conseguir o pão de cada dia. E é com essa vontade
de trabalhar que a cultura pernambucana é erguida ao seu
ponto máximo. Os artistas da terra expõem suas obras.
E chega o curioso. Olha tudo, reclama de tudo e não compra
nada! E tem o que compra tudo sem olhar...É o rico da cidade,
o poderoso. Figuras folclóricas de uma feira!
O Sol começa a dar o sinal de vida. A força dos
raios entra na veia dos feirantes e dos artistas. A Arte pela
Arte...Pernambuco mostra sua força pelos artistas. É
isso, minha gente, nossa feira está montada, nossa arte
vai ser mostrada, os artistas vão se exibir para o povo
aplaudir.
SETOR 2: A Arte da Viola e do Pífano
“Abra
as portas, companheiro”
vai ter muita cantoria
vão chegando os guerreiros
pra fazer a cantoria, pra fazer a cantoria.
Trazendo o suor no rosto
e a viola na mão
o suor descendo no peito
faz nascer uma flor no seu coração
Brinca viola de fita
brinca com o povo de lá
pois aqui o povo acredita
nas modas que eu vou cantar
Lugar de gente valente
que gosta de trabalhar
que batalha o dia inteiro
e chega à noite quer guerrear
que batalha o dia inteiro e chega à noite quer guerrear”
Joaquim Antônio, violeiro.
Um
som cativante começa a embalar a feira. Tudo ainda está
começando...A feira toma a sua forma mágica. A música
vem caminhando lentamente...E chega cativando! “Blem, Blem,
Blem”… Os dedos calejados tocam na humilde viola.
Chegam os Violeiros, chamados também de Repentistas ou
Cantadores. É impressionante a forma que a música
sai da mente dos repentistas, pois o tema é ditado no momento
e o improviso é necessário. A feira se empolga ao
som da viola. Risos e gargalhadas no desafio dos violeiros! A
feira cai na alegria...
A arte da viola traz os nomes de Vilanova e Geraldo Amâncio,
Moacir Laurentino, Oliveira de Panelas e José Cardoso,
Sebastião Dias e Severino Feitosa, entre outros grandes
artistas da cantoria. O repente nordestino tem origem européia,
mais precisamente na região de Provença, na França.
Câmara Cascudo enalteceu o repente. Mas os artistas não
querem saber de história, e sim dos “causos”
populares que fazem da arte da viola uma das mais ricas do nosso
nordeste.
“Você
bem sabe que batom é um perigo
Tira o rosto do meu ombro
Não manche o meu tropical
Você bem sabe que eu sou um homem casado
Chegando em casa manchado
É um pega pra capá”
Sebastião Biano, tocador de pífano e líder
da Banda de Pífanos de Caruaru.
A simplicidade dos artistas transforma a feira. Tudo vem correndo
em seu curso normal. Mas vem vindo um sexteto bastante característico...E
eles chegam entoando um ritmo alucinante e empolgante. É
a banda de pífano...É a arte do pífano! Dois
pífanos, um tipo de flauta bastante conhecida e fácil
de se construir e super difícil de se tocar, comandam a
banda, e a marcação é feita por uma caixa,
um bombo, um surdo e um tambor. Tudo é feito artesanalmente.
Até as roupas dos integrantes da banda são feitas
de couro, como as dos vaqueiros desbravadores da caatinga.
Toda a feira, agora, está embalada ao som do pífano
e das violas. Toda arte precisa de uma marcação,
de uma “trilha sonora”. O mesmo surdo que marca a
arte do samba marca também aquela banda de pífano.
As artes se fundem. A música é de todas as artes!
SETOR 3: A Arte das Esculturas de Barro e Madeira
O
mesmo barro que Deus deu a forma ao homem, agora virou escultura.
A escultura humana agora cria em cima do seu molde. O homem desenvolveu
a capacidade de transformar o barro em diversas figuras, formas
e tipos. A arte do barro é uma das mais fortes dentre as
outras artes de Pernambuco. Todos sabem da importância e
da sobrevivência de cidades em função dos
artistas escultores do barro. Vitalino tem um conhecimento mundial...Suas
esculturas de barro estão presentes nos quatro cantos desse
planeta. Vitalino, porém, é somente um artistas
dos milhares de artesãos que hoje encontramos com a capacidade
de criação e inovação de fazer balançar
de alegria o túmulo do grande Mestre do Alto do Moura!
O conhecimento foi passado pelas gerações e o barro
virou mania, virou sobrevivência, virou arte! A arte do
barro!
Os artesanatos são diversos. A feira vende de tudo...De
boi a santo, de jarro a figuras que só existem no imaginário
dos artesãos. Tudo é arte! Na nossa feira, estão
presentes as duas mais fortes correntes do trabalho do barro em
Pernambuco: Os artesanatos diversos de Caruaru e os santos de
barro de Tracunhahém e de Goiana. Os artistas mais conhecidos
na produção dos santos são: Zé do
Carmo, Gercino Santos e Galdino, o mais reconhecido dos citados.
Mas na feira, qualquer um pode expor a sua escultura...É
só fazer a arte, e artistas todos nós somos!
Tem Boizinho, Jogo de xadrez, Cortejo nupcial, Casamento no mato,
Enterro na rede, Enterro no carro de boi, Boi transportando cana,
a Vaquejada, o Vaqueiro que virou cachorro, A luta do homem com
o Lobisomem, Boi transportando o vivo e o morto, Lampião
a pé, Lampião e Maria Bonita! O cotidiano vira escultura
nas mãos dos artesãos. Do barro curtido, o artista
exprime os seus sentimentos. Tem tudo isso na feira!
Da natureza sai a matéria prima para a arte da madeira.
A madeira também é esculpida e exposta na nossa
grande feira popular. Das mãos mágicas saem figuras,
como no barro. Auxiliados pelos cinzéis e por outras ferramentas
para esculpir na madeira, os artistas colocam formas nas toras
brutas...Artistas como o Nhô Caboclo e Saúba, grandes
pernambucanos que fazem “chover” na madeira.
Na nossa feira tem carranca pra espantar assombração!
As carrancas esculpidas na madeira podem até ser usadas
como decoração, apesar de sua “feiúra”!
Pela lenda, as carrancas são postas à frente das
embarcações para espantar os maus espíritos,
na região do Velho Chico. Aquele rio que traz alegria a
muita gente tem um toque da arte da madeira de Pernambuco.
A feira se encheu de riqueza. Passamos pelo som cativante da viola
e do pífano e vimos agora a beleza das esculturas de barro
e de madeira. A riqueza cultura é tão grande que
parece que já foi o bastante. Nós, contudo, estamos
ainda no começo de nossa apreciação da cultura
na nossa grande feira livre do povo. Muita coisa ainda vai passar
para o povo aplaudir.
SETOR 4: A Arte de Palha dos Xucurú e Fulni-ô
Na
nossa feira também tem muito espaço para a arte
indígena. Andando um pouco mais, nos deparamos com a riqueza
dos objetos artesanais de palha. Tem samburá, tem descanso
de mesa, tem até balaio pra carregar roupa! Mas a palha
se faz presente no cotidiano do povo Xucurú e Fulni-ô.
As construções, os pertences e utensílios
domésticos são fabricados pelas índias com
a folha de algumas plantas especiais, sisal, por exemplo, como
matéria prima.
O povo Xucurú é um povo guerreiro e bastante criativo.
Eles são considerados os índios de Pernambuco que
mais se produzem para as festas. São os mais jeitosos,
mas não se expõem muito e guardam as suas tradições;
são também ricos de cultura e possuem grandes artistas
plásticos e contadores de histórias que viram cordel,
lá pras bandas de Pesqueira, terras de Virgulino Lampião.
Os índios Fulni-ô vivem no município de Águas
Belas são os mais famosos do estado, pois expandiram suas
fronteiras e saíram para vender seus artesanatos. A nossa
feira abriu as portas para a cultura indígena. Os fulni-ô
produzem bolsas, balaios, roupas, utensílios domésticos,
colares e brincos, alem das ocas onde residem.
Na feira tem de tudo! A palha das tribos pernambucanas deixaram
a feira mais poderosa. Nossa passarela abriu as portas e está
se banhando de cultura e riqueza das artes de Pernambuco.
SETOR
5: A Arte da Culinária e Ervas Medicinais
Já
estamos fartos de tanta riqueza cultural. Mas entramos agora na
outra parte da feira: a da culinária. De longe, já
dá pra sentir o cheiro das frutas fresquinhas. É
hora do almoço, tem baião de dois pra comer com
carne de bode. De longe, avistamos o vendedor de chibiu, espécie
de pirulito de mel em forma de cone, cheio de crianças
em volta. Tem doce de todo tipo: bananada, cajuada, goiabada...Tem
também o delicioso queijo com mel de engenho, ou melaço.
Tem buchada também! Tem até nego-bom pra pregar
nos dentes! Mas o prazer da gostosura é maior do que o
trabalho depois...A feira se alegra!
A culinária é bastante rica. Na feira tem de tudo,
e alguma coisa saborosa você encontra. Tem até folha,
pra rezadeira nenhum botar defeito. Tem até arruda pra
espantar o mau olhado! As ervas medicinais e especiarias também
marcam presença na feira. Pra tudo encontramos a cura,
sem precisar ir no “dôtô” e comprar remédio.
A natureza cedeu as plantas pra curar. As “veinhas”
possuem uma grande sabedoria e sabem de tudo. Tem hortelã
pra gripe, tem a folha do cajueiro que cicatriza os cortes, tem
boldo e cidreira pro intestino...Tem tudo!
Depois de saciados e “curados” de tanta emoção
e alegria, o descanso seria bem vindo, porem a força que
vem dos expositores e comerciantes nos deixa em pé e firme
para se enriquecer ainda mais de tanta cultura. A passarela está
pintada e perfumada com a tinta das lágrimas dos artistas.
Tudo é arte!
SETOR 6: A Arte das Redes e Rendas
A exaustão nunca chegará, pois a cultura rica nos
deixa em pé. Mas se cansar um pouco tem rede de renda pra
descansar! Outra forte produção artesanal do nosso
estado se faz presente nas rendas. As bordadeiras passam horas
com a agulha e a linha para fazer lindas toalhas, tapetes, pequenos
panos e as famosas redes. Quem nunca deitou numa rede pra mastigar
um mato e pensar na vida?
Zé do Norte, contando histórias da época
de Lampião, já disse um dia: “Tu me ensina
a fazer renda que eu te ensino a namorar”. A arte do bordado
é milenar e na nossa feira tem espaço reservado
para as rendas, para que o povo todo aprecie a beleza dos artesanatos.
Cada rendeira tem a sua maneira de tratar o produto e de executar
a arte. O produto final é espetacular. O vale do São
Francisco é repleto de rendeiras do mais alto nível.
Elas vivem de bordar e hoje elas estão presentes na nossa
feira para expor suas obras de arte, como as outras que passaram...
Os expositores mostram, na feira, todas as técnicas do
bordado da renda e da fabricação artesanal das redes.
Na casa de cada pernambucano tem o suporte para por a rede e descansar.
Essa cultura indígena passou no tempo para o cotidiano
de muita gente e hoje é um objeto quase que essencial de
uma casa. Tudo isso tem na feira...No nosso grande espetáculo
que é a feira.
O espetáculo maior teve a grande oportunidade de ver a
riqueza cultural e aproveitou muito bem. A festa está completa
com a glorificação de todos os artistas, conhecidos
ou não, que participaram da festa. Mas a feira não
acabou ainda...
SETOR 7: A Arte pela Arte e o Desarmar das Barracas
Já passamos por vários artistas na feira. Todos
eles ganharam a sua importância devida, e até faltaram
vários artistas, pois a arte é de todos, e é
impossível de citar todos os responsáveis pela riqueza
artística pernambucana...Tudo isso tem na feira. Estamos
fartos de riqueza e de cultura. O samba assistiu a um espetáculo
grandioso produzido pelo povo pernambucano...Pernambuco é
de todos!
Nossa feira vai chegando ao fim. O espetáculo, todavia,
nunca vai acabar. A cultura é eterna e o que vimos nessa
noite é peça de museu, nunca vai ser esquecido.
Nossa jornada está próxima de ser temporariamente
interrompida, mas a lembrança do que vimos nunca vai ser
esquecido. Como todo dia, as barracas têm de ser desarmadas.
Os comerciantes e expositores recolhem os objetos super valiosos,
pois amanha tudo se armará outra vez. A tristeza do fim
do dia vai ser, daqui a algumas horas, transformada na alegria
de um novo dia de trabalho, de batente. Os pedaços de pau
que sustentam as barracas são guardados para o dia seguinte.
A arte se guarda para ser exposta no dia seguinte. O ciclo se
torna parte do cotidiano de todos...A vida vive em função
da arte!
A vida de cada pernambucano se enche de glória. A arte
do povo não faz parte da mídia, do conhecimento
geral. O povo faz a arte pelo prazer, assim como a arte do samba.
O prazer de por uma escola na avenida é semelhante ao prazer
de fazer uma obra de arte e coloca-la em exposição
para que o povo aprecie. Nossa arte pernambucana se rendeu aos
encantos do samba e hoje é parte do espetáculo maior.
A viola vira cavaquinho e a banda de pífano vira a bateria.
A escultura de barro e madeira vira um carro alegórico.
A palha e a renda viram fantasia e o baião-de-dois vira
a mulata e o passista. As artes se fundem! É a arte pela
arte. É a arte pernambucana pela arte do samba...É
a arte! Pernambuco, você será sempre de todos os
amantes de nossa cultura...Quem ama a cultura desse estado pode
aclamar: Pernambuco, Você é Meu! Viva Nelson Ferreira!