SINOPSE
DRAGÕES DO IMPÉRIO 2006
"As
Pragas do Velho Mundo e o Apocalipse Indígena! A Falange
de Tupã Recria um Brasil Lendário...”
1.
APRESENTAÇÃO
A Dragões do Império
no Carnaval Virtual 2006 vem contar uma estória que a história
ainda não contou!
Mostrar a mitologia dos índios brasileiros com uma visão
inovadora e revelar os obscuros segredos da chegada dos europeus
em nossas terras.
O homem branco trouxe a civilidade?
O homem branco trouxe foi a maldade!
Maldade que os índios desconheciam. Maldade que deu início
ao apocalipse da cultura e das tradições tupiniquins.
Com o enredo: As Pragas do Velho
Mundo e o Apocalipse Indígena! A Falange de Tupã
recria um Brasil Lendário... , A nossa Escola vem fazer
um apelo a todos os brasileiros! Criem suas tropas! Montem suas
falanges e vamos lutar pela preservação das tradições
indígenas.
Começaremos nosso desfile
mostrando em apenas um ato as maravilhas de um mundo criado por
Tupã. Um mundo encantado e purificado que não resistiu
à chegada dos Europeus trazidos pelo vento de Anhangá
– o mal – Que por vingança do criador, trouxe
o homem branco para o seio do Brasil Lendário.
Daí começará mais um ato. O Apocalipse!
Até Tupã evocar todas as energias da natureza e
convocar sua falange mística para salvar nosso Brasil.
Tudo que ele criou ele desfez em poucos momentos! E um novo mundo
começou a ser criado!
E das sementes que foram lançadas na terra, surgiram imagens,
formas humanas. E, desse modo, com o auxílio divino, nasceram
milhares de homens e mulheres e essa geração humana
vindo de um só ramo Tupi, encheu todo o lendário
Brasil.
E assim renasceu um Brasil novo!
Terra mística e sagrada onde alegres viviam os homens,
felizes cresciam as crianças...
2.
SINOPSE
No início de todas as coisas,
Tupã criou o infinito cheio de beleza e perfeição.
Povoou de seres luminosos o vasto céu e as alturas celestes,
onde está seu reino.
Para concluir sua obra, Tupã veio ao mundo e fez o homem
e deu-lhe como companheira a mulher e logo eles se multiplicaram
e encheram toda a terra. Estava criado assim o mundo encantado
dos índios!
No
pulsar das águas
No vendaval e no sol
Eis os filhos da terra
Nominados estão
As cunhantãs e os curumins
Guardiães dos segredos
...Que revelam os sinais
Que passarão aos filhos
E aos filhos
De seus filhos
Além
Extrairão da terra mais que o alimento
Das palhas, mais que a maloca
Das prendas, mais que o silêncio
Da guerra, mais que a bravura
Nestas vidas
Transcritas em escrituras
Faço nas faces as pinturas
Cada traço é uma marca
Cada marca, um destino,
O poderoso Deus tomou então
das suas criaturas e ensinou-lhes a arte de tirar do seio da terra,
ricos legumes e frutas, trabalhar com barro e argila e do férreo
Ubiratã, fazerem as mais fortes lanças e armas de
guerra. Depois transmitiu aos homens todo o conhecimento sobre
os remédios para todas as doenças. Finalmente, ensinou-lhes
as artes que tornam a vida mais suave e amena. Abençoou
o sagrado Ibiapaba, Monte Sagrado dos Deuses Brasileiros e nele
permitiu a permanência das Parajás, do bondoso Inoquiué,
das Parés, de Solfã e de outros deuses imortais.
Até ele próprio lá comparecia, vez por outra.
Alegres viviam os homens, felizes cresciam as crianças.
Todos os deuses gloriosos e imortais amavam-nos e davam-lhes formosos
e ricos rebanhos de capivaras, pacas e cabras. Ao morrerem, os
homens não sofriam, pois mergulhavam em doce sono, seus
corpos voltavam à terra e suas almas subiam aos céus.
A vida proporcionava todo o bem imaginável. A terra era
fértil e produzia-lhes todas as árvores frutíferas
que precisavam. Se algum mortal faltava com a veneração
dos imortais, entretanto, era duramente castigado. Os deuses reuniam-se
em assembléia no Monte Ibiapaba e enviavam as mensagens
aos homens pelo alegre Curupira, o qual possui os calcanhares
para diante, os dedos para traz e habita a floresta, castigando
todo aquele que a destrói ou incendeia e é mais
célebre do que Polo, o deus do vento.
Xamãs
Ye' Kuana
Em transe visionário profetizam o futuro
Seus olhos incendeiam
A terra queimará tribos viverão no medo
Em busca da salvação guerreiros hão cair
Na batalha contra a proliferação do mal
No reino invisível dos guerreiros
O lado obscuro desse paraíso
foi aprisionado por Tupã. Para proteger suas criações
mortais das tentações dos seres malignos liderados
por Anhangá.
No alto dos céus, com os outros deuses, Tupã dominava,
desde o começo dos tempos e numa grande batalha, vencera
o cruel deus Anhangá, senhor dos infernos e seu irmão,
o deus Xandoré.
Com o seu poder, Tupã aprisionou o deus do ódio
na sagrada serra do Ibiapaba. Algum tempo depois, ele foi solto
por Jururá-Açu a bela imortal. Por castigo, Tupã,
fez nascer nas costas desta deusa uma espécie de concha,
e cobriu-lhe o corpo todo como uma cor amarelada e Jururá-Açu
transformou-se na feia e horrível tartaruga que habita
as águas doces dos rios. Assim, pode Tupã se gloriar
de ter vencido todos os que se opunham a ele.
O Paraíso Brasil foi assim
formado, e por muitas e muitas luas a paz reinava em absoluto.
As tribos viviam em fraternidade e o mundo dos índios era
assim completamente maravilhoso!
Mas, eis que um dia, Anhangá dominado pelo ódio
a Tupã e cheio de inveja, por uma grande força sobrenatural
de sua mente aprisionou Polo e o obrigou a soprar ventos em direções
contrárias pelo oceano, até formar uma tenebrosa
calmaria. Essa Calmaria fez mudar a direção dos
Navegantes em além–mar, que se sentiram atraídos
por uma estranha cobiça.
O “mundo dos homens brancos” já estava degradado
pela ambição. E nas tripulações de
suas embarcações, estavam os degredados do velho
continente. Os restos da sociedade européia transformados
em bravos navegantes, que juntamente com as cortesãs, formavam
a tripulação dos grandes descobridores.
No fino vento frio que espantava a calmaria, foram trazidos, para
esse novo mundo desconhecido o “Lendário Paraíso
Brasil”. Terra a vista! Desencantou assim a terra dos tupinambás.
Ao pisarem nesse paraíso terrestre, uma grande nuvem negra
pairou no ar. Era tupã vendo o mal vindo do Velho Mundo,
aportando em seus domínios. Os índios purificados
e de almas purificadas, no primeiro contato com “esses desconhecidos”,
perderam sua imunidade natural e se viram caídos em terra
desprotegidos.
“Alçar
as velas desaportar as caravelas, cruzadas do velho mundo do oceano
ao rio-mar... Esquadras do novo mundo é império
a delatar”.
O Brasil Lendário não
seria mais o mesmo! E assim aconteceu, e Tupã nada fez...
Queria o Grande Trovão testar suas criações?
Em nome do “Pai”, da
Coroa, do “Filho”, da Cobiça, do “Espírito
Santo”, da Ganância, “Amém” para
a Luxúria... Eis a primeira ordem do Novo Imperador: “Temos
que construir uma Igreja!”. E assim sejam cumpridas as ordens
do Grande Descobridor. De joelhos os bravos guerreiros celebraram
a “grande missão” a salva de tiros de morteiros.
E o Cristianismo foi imposto aos silvícolas.
Para o reconhecimento dessas novas terras, índios tornaram-se
escravos. As matas começaram a ser devastadas! A Esfinge
Verde (Amazônia) foi Encontrada! E suas riquezas devoradas...
Era o início do fim do Paraíso!
No
Brasil Lendário, Anhangá também começou
a criar conflitos. Transformado numa bela e astuta jararaca gigante,
soprou no ouvido dos homens a maldade e ainda que os outros deuses
protetores vagassem em torno deles para ajudá-los, nada
conseguiram. Então começaram os homens a serem dominados
por grande ambição e as Parajás, deusas do
bem, da honra e da justiça, que eram inseparáveis,
envolveram o corpo com brancas plumas e abandonaram os mortais,
voltando para junto dos deuses eternos e a escura deusa Sumá
(deusa inimiga dos homens), envolvida em negra manta, feita de
cipó chumbo, vagou pela terra, espalhando ódio e
discórdia. Deste modo os maus sentimentos ganharam o mundo
e os mortais tiveram o conhecimento do mal, da injustiça
e amaram mais a maldade do que as belas virtudes.
O chão dessa mata manchada de sangue proclama o vencedor!
E foi anunciado o apocalipse indígena.
Pajé,
é um anjo feiticeiro
Que destrói a escuridão
Pajé, a história verdadeira
Curandeiro da nação
Pajé, ritual da floresta
Na luta contra o mal
O clamor desse povo
É justiça, é paz, é amor
E na dança de guerra
Oração do pajé
Hiê, chamando os espíritos
Das águas e do vento
Hiê, da terra, do fogo,
Da lua e do sol
Hiê, tira quebranto
Expulsa espírito mal
Com os braços erguidos
O índio sagrado clamando à Tupã
Ritual de magia
Do misterioso pajé
Mas agora Tupã arrependeu-se de ter criado os homens! Voltou
ele então à Ibiapaba e se reuniu em assembléia
com os imortais. Depois de muita discussão, chegaram a
um consenso que deveriam destruir a terra e todos os homens.
E assim o Juízo Final foi anunciado pelos quatro cavaleiros
dos Elementos da terra. Água, terra, fogo e ar. E no tempo
de um grande trovão, o nada se fez.
A Falange de Tupã foi convocada!!!! Os Pajés celestiais
dançavam e catavam a pajelança da paz para unir
as forças sobrenaturais. A Falange começou a espalhar
sobre a terra em trevas, as sementes da nova vida!
Um novo Brasil Lendário começava
a ser recriado... E Tupã começou tudo novamente...
Criou então, a formosa deusa Jaci, a Lua, para ser a Rainha
da Noite e trazer suavidade e encanto para a vida dos homens.
Mais tarde, ele mesmo sucumbe ao seu feitiço e a toma como
esposa. Jaci era irmã de Iara, a deusa dos lagos serenos.
Criou ainda, o forte deus Guaraci, deus do Sol, irmão de
Jaci, o qual dá vida a todas as criaturas e preside o Dia.
A Terra também foi dividida em quatro partes: a Terra propriamente
dita, os Mares, os Rios e as Florestas. Para cada uma destas divisões
foram designados deuses. Mas era Tupã que orientava, fiscalizava
e exercia o domínio do universo.
No alto dos céus, sentado em seu trono, Tupã criou
milhares de criaturas celestes que executavam suas ordens e o
louvavam. Fez nascer sobre os verdejantes mares os Sete Espíritos
e os gênios que sob as ordens do Boto, deus dos abismos
dos mares, governavam os oceanos e habitavam na sagrada Loca,
que é a habitação dos deuses marinhos no
fundo das águas.
Criou Pirarucu, deus do mal e deu novamente vida ao alegre Curupira,
deus protetor das florestas. Do mesmo modo, nasceram as Sete Deusas:
Guaipira, a deusa da história;
Pice a deusa da poesia;
Biaça, a deusa da astronomia;
Açutí, a deusa da escrita;
Arapé, a deusa da dança;
Graçaí, a deusa da eloqüência;
E Piná. A deusa da simpatia.
E criou um reino de Guerreiras Douradas que as denominou de Amazonas,
para proteger as sete deusas.
Depois criou para a alimentação dos deuses, o divino
Ticuanga, o bolo feito de massa de óleos e outras iguarias
deliciosas para alimentar e deleitar os imortais. Mandou em seguida,
preparar o sagrado Tapicurí, o vinho dos sacros deuses
e Tamaquaré, a fina essência aromática usada
pelos Senhores da Eternidade. Estabeleceu as horas, os minutos
e os segundos. Fixou as estações e as mutações.
Deu uma forma estável e regular ao Universo e instituiu
o Nadir e o Zênite. Fez nascer à reciprocidade e
criou:
Catú, o deus outonal,
Mutin, o deus da primavera,
Peurê, o senhor do verão
e Nhará, que preside o inverno.
Criou Aruanã, o deus da alegria
e protetor dos Carajás e faz germinar no norte do Brasil
as ricas e belas carnaubeiras, chamadas de árvores da vida.
E das sementes que foram lançadas
na terra, surgiram imagens, formas humanas. E, desse modo, com
o auxílio divino, nasceram milhares de homens e mulheres
e essa geração humana vindo de um só ramo
Tupi, encheu todo o lendário Brasil.
E assim renasceu um Brasil novo!
Terra mística e sagrada onde alegres viviam os homens,
felizes cresciam as crianças...
Elementos
de Pesquisa:
Textos
de Rosane Volpatto (índios e Lendas)
Biblioteca Municipal de São José – SC:
Com o auxilio especial de Cacília Ramos
Enciclopédia da História do Brasil – Vol.
I
Citações das músicas:
Nominação - Composição: Andréa
Pontes/ Bené Siqueira/ Simão Assayag
Xamãs Ye' kuana - Composição: Demetrios Haidos/Naferson
Cruz/Geandro Pantoja/Jacinto Rebeloa
Anjo Feiticeiro - Composição: Andréa Pontes/
Rainier de Carvalho
3.
TEXTO COMPLEMENTAR
Cântigo ao Apocalipse Indígena
Mundo
Encantado...
Um Reino de maravilha e perfeição...
Paraíso por Tupã abençoado!
O Brasil Lendário do “Grande Trovão”!
No
Monte Sagrado... Anhangá aprisionado
Fez no vento sua maldade se espalhar
Atraindo de além-mar...
O “Poder da Coroa”... O Velho Mundo desconhecido
A “Cruz” da ganância, religião e cobiça
Refletiu no índio... Esse agora desprotegido
O
índio canta a dor... Que na floresta ecoou...
A Esfinge Verde é a Amazônia
Que na “missão” se revelou
E
assim...
O mal foi libertado!
E o apocalipse anunciado...
O Paraíso e suas riquezas
Pelo mal foi devorado!
Mas
Tupã quer seu Reino de volta!
E os quatro cavaleiros anunciam o fim...
E das trevas... Surge uma nova aurora!
Recriando a lenda de um Brasil assim
Da
“Semente da Vida”, uma nova raça se refaz!
Nessa nova “Era de luz” e vitória
Os pajés dançam a “Pajelança da PAZ”!
Canta
a Falange de Tupã
Sangue forte! Guerreiro Maué
Com a proteção dos deuses... Poderoso clã
Sagrada alma... Renasce a Fé!