SINOPSE
COLIBRIS 2006
"CyberColibri
- A Folia dos Bit's"
Justificativa
Atenção Senhoras e
Senhores! Peguem seus refrigerantes, biscoitos e afins e acomodem-se
em suas cadeiras, pois vai começar mais uma noite de samba.
Conecte-se e abra o seu navegador. Acesse www.liesv.kit.net e
aguarde... Você assistirá agora o desfile da Colibris,
a vice-campeã do Carnaval Virtual. Ah! Não se esqueça
de ligar a caixa de som.
Mas o que faz este final de semana
em casa? Por quê não está curtindo o samba
em alguma quadra, folião? Bem... já que está
aqui, pegue carona com a CyberColibri e quem sabe você entenderá
o porque de estar aqui nesse momento.
Vamos traçar um paralelo entre
a evolução da Informática e do Carnaval até
o seu maravilho e inusitado encontro nos anos 2000, culminando
na criação desta nova manifestação
popular que é o Carnaval Virtual.
Sinopse
Setor
1: Nasce a informática – O auge do romantismo do
samba.
Ah! O homem e sua necessidade de
inovar! Seguindo a sua necessidade de automatizar as tarefas do
dia-a-dia e com isso facilitá-la de alguma forma, estudantes
e professores da Universidade da Pensilvânia, nos Estados
Unidos, criaram uma máquina que podia fazer cálculos
matemáticos e científicos.
Nasce então, quase no final
dos anos 40, o E.N.I.A.C. Com suas 18.000 válvulas, ocupando
aproximadamente 270m² e trabalhando apenas com linguagem
binária (zeros e uns), foi considerado o primeiro computador
eletrônico construído no mundo.
Os anos a seguir serviriam de evolução
para a informática. Novas tecnologias foram sendo utilizadas
e os computadores começaram a diminuir consideravelmente
de tamanho. Comparando com os dias de hoje, ainda eram muito grandes,
mas era o caminho da evolução que estava sendo traçado.
Ainda sem sonhar que um dia poderiam
se encontrar, o samba vivia o seu auge. No seu momento mais romântico,
as escolas de samba existiam em toda a sua essência, valorizando
especialmente a sua comunidade. Ouvíamos sambas de verdade,
com qualidade em letra e melodia e com andamento mais lento que
os sambas atuais, que nos permitia brincar o carnaval com toda
intensidade.
Setor
2: Surge a Internet – A Revolução no Samba
Do final dos anos 60 e até
o início dos anos 80, a Guerra Fria entre Estados Unidos
e União Soviética assustava o mundo. A possibilidade
da destruição da vida na terra pelas armas atômicas
era eminente e visando manter a comunicação entre
quartéis generais mesmo que houvesse um ataque inimigo,
criou-se a Arpanet, primeira forma da Internet atual.
As Universidades logo aderiram ao
projeto e começaram a utilizar e aperfeiçoar esse
novo recurso de comunicação. Porém, ainda
era um serviço para poucos, pois os computadores além
de pouco acessíveis, eram de difícil manuseio, pois
as máquinas existentes ainda trabalhavam em código
binário.
Na mesma época, o Carnaval
passava por uma grande revolução chamada Joãosinho
Trinta. Ele mudou completamente a forma de uma escola desfilar.
Os desfiles cresceram no número de componentes e o chamado
Mago do Povo instituiu desfiles com enredos explicados de forma
cronológica, colocou destaques sobre os carros alegóricos
e levou a Beija-Flor de Nilópolis ao tri-campeonato, mudando
de vez a história dessa escola e do carnaval em geral.
Setor
3: O Microcomputador e os Macrodesfiles
E a informática continuava
sua caminhada à evolução, até que
nos anos 80 deu-se a criação do Computador Pessoal.
Com isso, os computadores diminuíram de tamanho, viraram
microcomputadores e conseqüentemente tornaram-se mais acessíveis
e seu manuseio deixou de ser tão difícil com a chegada
de novos sistemas operacionais e a criação da todo-poderosa
Microsoft. As pequenas, médias e grandes empresas começaram
a ter os seus próprios computadores, bem como as pessoas
físicas também puderam tê-lo.
E nessa mão única da
evolução, o samba também alcançava
um patamar mais avançado. Com os desfiles cada vez mais
verticais, o povo sai do chão e das arquibancadas de ferro
e é levado para os degraus de concreto da passarela fixa.
Só que a evolução do samba, não por
coincidência, tem o resultado diferente da tecnologia. Os
desfiles aumentam e não diminuem.
Setor
4: Explosão da Informática no Brasil – Explosão
Turística no Samba
Nos anos 90, a informática
chega com força ao Brasil. Os computadores ficam mais baratos
e os brasileiros já conseguem adquiri-lo. A Internet também
explode e o povo começa a conhecer as maravilhas da grande
rede. Bate-papo, compra, venda, rádios, vídeos,
bancos etc.
Um novo mundo surge perante os olhos
deste sofrido povo do terceiro mundo e a informática começa
a aproximar-se do Carnaval, mas o seu encontro ainda seria algo
inusitado.
Nesta mesma época, o povão
começa a ser excluído dos desfiles das escolas de
samba. Os preços dos ingressos começam a ficar altíssimos
e o grande e verdadeiro dono da festa acaba parando nas margens
do mangue da Av. Presidente Vargas ou pendurado no viaduto paralelo
a passarela. E o turista, brasileiro ou não, começa
a encher as arquibancadas, trazendo lucro para as escolas de samba
e para a hotelaria em geral, mas trazendo um esfriamento enorme
para o Carnaval.
Foi nessa época que vivenciamos
os últimos grandes desfiles com a participação
e interação do público presente à
Marquês de Sapucaí.
Setor
5: Anos 2000 – O Grande Encontro
Com a expansão das linhas
telefônicas em todo o Brasil e a popularidade dos computadores,
que estão na casa até das pessoas com uma renda
familiar não tão alta, o inesperado encontro acontece.
Ano: 2003. Um grupo de internautas,
apaixonados pelo Carnaval, unem-se em prol de um ideal. Sem espaço
para mostrar o seu talento em uma escola de samba, que já
não valoriza mais a sua comunidade, visando apenas turistas
e o comércio, é criada a Liga Independente das Escolas
de Samba Virtuais.
Com a LIESV, o povo que ama o Carnaval
pode vivenciar todas as emoções de uma escola de
samba real 365 dias por ano. Criação de enredos,
escolha de samba, desenhos e um desfile virtual em uma página
na Internet. E até você, amigo folião-internauta,
pode ter uma escola de samba ou participar ativamente de uma
Encerramento
Mas a Colibris, vice-campeã
deste carnaval, com propriedade deixa uma pergunta no ar: O Carnaval
Virtual seria uma loucura? Uma brincadeira de apaixonados pelo
samba? Um protesto pela falta de espaço nas escolas de
samba reais? Uma vitrine de novos talentos para o mundo do samba?
Ou seria um fruto da evolução? O primeiro passo
para a nova forma de uma escola de samba desfilar no futuro.
Quando os desfiles foram inventados,
não se imaginava que ele tomaria proporções
tão gigantescas. Se perguntássemos aos fundadores
das primeiras escolas de samba, eles jamais admitiriam tal evolução.
E amanhã? O que mais vai mudar? Que quesitos mais serão
criados? O teatro continuará a invadir o samba? O povo
continuará sendo excluído?
A Colibris deixa essa interrogação
em forma de protesto. Sambista!!! Não deixe o samba morrer.
Os interesses capitalistas não podem suprimir a alegria
de um povo festeiro. Vamos erguer a bandeira do samba e lutar
por ele, até que nossas forças se extingam.