MIGUEL PAUL
PRESIDENTE DE HONRA

ARTHUR MACEDO
PRESIDENTE EXECUTIVO

 

SINOPSE COLIBRIS 2006

 

"CyberColibri - A Folia dos Bit's"

 

Justificativa

Atenção Senhoras e Senhores! Peguem seus refrigerantes, biscoitos e afins e acomodem-se em suas cadeiras, pois vai começar mais uma noite de samba. Conecte-se e abra o seu navegador. Acesse www.liesv.kit.net e aguarde... Você assistirá agora o desfile da Colibris, a vice-campeã do Carnaval Virtual. Ah! Não se esqueça de ligar a caixa de som.

Mas o que faz este final de semana em casa? Por quê não está curtindo o samba em alguma quadra, folião? Bem... já que está aqui, pegue carona com a CyberColibri e quem sabe você entenderá o porque de estar aqui nesse momento.

Vamos traçar um paralelo entre a evolução da Informática e do Carnaval até o seu maravilho e inusitado encontro nos anos 2000, culminando na criação desta nova manifestação popular que é o Carnaval Virtual.

Sinopse

Setor 1: Nasce a informática – O auge do romantismo do samba.

Ah! O homem e sua necessidade de inovar! Seguindo a sua necessidade de automatizar as tarefas do dia-a-dia e com isso facilitá-la de alguma forma, estudantes e professores da Universidade da Pensilvânia, nos Estados Unidos, criaram uma máquina que podia fazer cálculos matemáticos e científicos.

Nasce então, quase no final dos anos 40, o E.N.I.A.C. Com suas 18.000 válvulas, ocupando aproximadamente 270m² e trabalhando apenas com linguagem binária (zeros e uns), foi considerado o primeiro computador eletrônico construído no mundo.

Os anos a seguir serviriam de evolução para a informática. Novas tecnologias foram sendo utilizadas e os computadores começaram a diminuir consideravelmente de tamanho. Comparando com os dias de hoje, ainda eram muito grandes, mas era o caminho da evolução que estava sendo traçado.

Ainda sem sonhar que um dia poderiam se encontrar, o samba vivia o seu auge. No seu momento mais romântico, as escolas de samba existiam em toda a sua essência, valorizando especialmente a sua comunidade. Ouvíamos sambas de verdade, com qualidade em letra e melodia e com andamento mais lento que os sambas atuais, que nos permitia brincar o carnaval com toda intensidade.

Setor 2: Surge a Internet – A Revolução no Samba

Do final dos anos 60 e até o início dos anos 80, a Guerra Fria entre Estados Unidos e União Soviética assustava o mundo. A possibilidade da destruição da vida na terra pelas armas atômicas era eminente e visando manter a comunicação entre quartéis generais mesmo que houvesse um ataque inimigo, criou-se a Arpanet, primeira forma da Internet atual.

As Universidades logo aderiram ao projeto e começaram a utilizar e aperfeiçoar esse novo recurso de comunicação. Porém, ainda era um serviço para poucos, pois os computadores além de pouco acessíveis, eram de difícil manuseio, pois as máquinas existentes ainda trabalhavam em código binário.

Na mesma época, o Carnaval passava por uma grande revolução chamada Joãosinho Trinta. Ele mudou completamente a forma de uma escola desfilar. Os desfiles cresceram no número de componentes e o chamado Mago do Povo instituiu desfiles com enredos explicados de forma cronológica, colocou destaques sobre os carros alegóricos e levou a Beija-Flor de Nilópolis ao tri-campeonato, mudando de vez a história dessa escola e do carnaval em geral.

Setor 3: O Microcomputador e os Macrodesfiles

E a informática continuava sua caminhada à evolução, até que nos anos 80 deu-se a criação do Computador Pessoal. Com isso, os computadores diminuíram de tamanho, viraram microcomputadores e conseqüentemente tornaram-se mais acessíveis e seu manuseio deixou de ser tão difícil com a chegada de novos sistemas operacionais e a criação da todo-poderosa Microsoft. As pequenas, médias e grandes empresas começaram a ter os seus próprios computadores, bem como as pessoas físicas também puderam tê-lo.

E nessa mão única da evolução, o samba também alcançava um patamar mais avançado. Com os desfiles cada vez mais verticais, o povo sai do chão e das arquibancadas de ferro e é levado para os degraus de concreto da passarela fixa. Só que a evolução do samba, não por coincidência, tem o resultado diferente da tecnologia. Os desfiles aumentam e não diminuem.

Setor 4: Explosão da Informática no Brasil – Explosão Turística no Samba

Nos anos 90, a informática chega com força ao Brasil. Os computadores ficam mais baratos e os brasileiros já conseguem adquiri-lo. A Internet também explode e o povo começa a conhecer as maravilhas da grande rede. Bate-papo, compra, venda, rádios, vídeos, bancos etc.

Um novo mundo surge perante os olhos deste sofrido povo do terceiro mundo e a informática começa a aproximar-se do Carnaval, mas o seu encontro ainda seria algo inusitado.

Nesta mesma época, o povão começa a ser excluído dos desfiles das escolas de samba. Os preços dos ingressos começam a ficar altíssimos e o grande e verdadeiro dono da festa acaba parando nas margens do mangue da Av. Presidente Vargas ou pendurado no viaduto paralelo a passarela. E o turista, brasileiro ou não, começa a encher as arquibancadas, trazendo lucro para as escolas de samba e para a hotelaria em geral, mas trazendo um esfriamento enorme para o Carnaval.

Foi nessa época que vivenciamos os últimos grandes desfiles com a participação e interação do público presente à Marquês de Sapucaí.

Setor 5: Anos 2000 – O Grande Encontro

Com a expansão das linhas telefônicas em todo o Brasil e a popularidade dos computadores, que estão na casa até das pessoas com uma renda familiar não tão alta, o inesperado encontro acontece.

Ano: 2003. Um grupo de internautas, apaixonados pelo Carnaval, unem-se em prol de um ideal. Sem espaço para mostrar o seu talento em uma escola de samba, que já não valoriza mais a sua comunidade, visando apenas turistas e o comércio, é criada a Liga Independente das Escolas de Samba Virtuais.

Com a LIESV, o povo que ama o Carnaval pode vivenciar todas as emoções de uma escola de samba real 365 dias por ano. Criação de enredos, escolha de samba, desenhos e um desfile virtual em uma página na Internet. E até você, amigo folião-internauta, pode ter uma escola de samba ou participar ativamente de uma

Encerramento

Mas a Colibris, vice-campeã deste carnaval, com propriedade deixa uma pergunta no ar: O Carnaval Virtual seria uma loucura? Uma brincadeira de apaixonados pelo samba? Um protesto pela falta de espaço nas escolas de samba reais? Uma vitrine de novos talentos para o mundo do samba? Ou seria um fruto da evolução? O primeiro passo para a nova forma de uma escola de samba desfilar no futuro.

Quando os desfiles foram inventados, não se imaginava que ele tomaria proporções tão gigantescas. Se perguntássemos aos fundadores das primeiras escolas de samba, eles jamais admitiriam tal evolução. E amanhã? O que mais vai mudar? Que quesitos mais serão criados? O teatro continuará a invadir o samba? O povo continuará sendo excluído?

A Colibris deixa essa interrogação em forma de protesto. Sambista!!! Não deixe o samba morrer. Os interesses capitalistas não podem suprimir a alegria de um povo festeiro. Vamos erguer a bandeira do samba e lutar por ele, até que nossas forças se extingam.