MIGUEL PAUL
PRESIDENTE DE HONRA

ARTHUR MACEDO
PRESIDENTE EXECUTIVO

 

SINOPSE ACADÊMICOS DA VILA DOS CABANOS 2006

 

"Um Comuna na Ilha das Ilusões"

 

INTRODUÇÃO:

Vambora minha gente, na cadência deste enredo surreal. Uma viagem pela história, uma estória com valor. Vem de lá, dos tempos de um baixinho, dono de um cavalo branco e de uma legião. Diziam que era maluco, mas a verdadeira perturbação vivia rondando os inimigos. E os inimigos não se resumiam aos prussianos ou alemães. A insatisfação do povo francês era visível, numa situação de caos na cidade-luz, um dia iluminista, outrora ilustrada, talvez iluminada. E o povo toma as ruas e toma o governo, liderados por um certo socialista, de nome inspirador.

A utopia ganha força na Rússia, numa revolução quase perfeita, com ideais quase ideais, surreais talvez. Lênin, Stalin... estes não conseguem pular o muro, mas conseguem aumentar a chama, que vira labareda, e vai queimar um povo lá longe daquela fria terra, no Brasil. Ser comunista é ser revolucionário, diferente, desafiador. É ter um ideal, uma linha de vida. É gostar de utopia, imaginar o irreal, e achar ser real. A chama presente no Brasil contamina os jovens dos anos 60, em tempos de trincheiras tupiniquins. E o tempo passa, o país se politiza, ganha a democracia, mas não perde a utopia. Aquela chama, embora pequena, continuou acesa.

E esta chama foi despertar num certo insulano, de nome Ricardo, talvez José, para sempre Delezcluze. A inspiração do comuna francês, a utopia do russo, a garra do jovem que lutou na ditadura... Nesta ilha de ilusões, o belo cenário desta história, talvez estória, vamos contar esta saga, esta grande brincadeira, esta grande homenagem.

APRESENTAÇÃO:

Neste Carnaval Virtual, a Acadêmicos da Vila dos Cabanos presta uma homenagem a todos os que fazem esta festa, pela figura do grande incentivador Delezcluze da Ilha, uma figura que ergue a bandeira da folia virtual. Delez, como é chamado pelos amigos, é responsável por boa parte do crescimento da Liga Independente das Escolas de Samba Virtuais, a LIESV, pela dedicação, idéias, e pela presença marcante do Arranco da FGAF, uma escola simples, que não visa a ambição a todo custo...Visa a alegria, sim, a todo custo.

Esta alegria contagiou a todos e nada mais justo do que homenagear a felicidade do Carnaval Virtual, nesta viagem por uma história que deságua na Ilha do Governador, habitat de Delezcluze e da grande União da Ilha.

Participante do Carnaval Virtual: o homenageado é você. Tenha a alma da felicidade, vista a camisa da alegria, seja Delezcluze por um dia!

SETOR 1: A Comuna do Comuna na Cidade Iluminada – A Inspiração

Um movimento de massas e ideais. Um novo ideal para a humanidade. Medo e pavor, empolgação e alegria. Tempos de guerra, indefinições, dificuldades por todo o planeta. Diferenças de idéias, de vontades, de poder. Diferença de vida, de utopias. Dizem que o socialismo surgiu também durante a Revolução Francesa, numa das correntes “subterrâneas”. Mas foi com Marx e Engels, em 1848, que estava definido e escrito o que era o ideal do povo no poder.

1871... Tempos napoleônicos... De lá vem a inspiração. O povo estava sendo traído pelos líderes da nação francesa. A derrota em Sedan, para os prussianos, foi o ponto chave para a chama começar a ser acesa na mente dos parisienses. Devido à derrota, os trabalhadores invadem o palácio Bourbon, fazendo com que o império de Napoleão III sucumbisse. No mesmo dia, é proclamada a Terceira República, um governo provisório para a defesa nacional, contra os prussianos. Havia a necessidade extrema de expulsar logo os inimigos, a fim de restabelecer a ordem na França.

As batalhas continuaram, e os prussianos continuaram obtendo êxito conta o exército francês, forçando ao governo deste país a abrir negociações de paz, cedendo espaço e poder aos prussianos. O povo trabalhador, sem nenhuma organização, se revolta e toma o Hotel de Ville, a sede do governo burguês, numa tentativa patriótica de ter de volta a soberania francesa. Numa manobra, os próprios soldados franceses atacam o Hotel.

Paris estava sitiada pelos prussianos, aliados com o exército francês. A conivência deixava o povo cada dia mais indignado. Uma guerra civil é instaurada, entre operários parisienses e o governo de Versalhes. No dia de 28 de Março, então, é proclamada a Comuna de Paris, uma revolução em que predominou o proletariado sobre as classes ricas, o trabalhador sobre o seu patrão, o trabalho sobre o capital.

Uma desorganizada organização tinha, nas mãos, o poder político da cidade de Paris. Um dos líderes da revolução chamava-se Claude Delescluse. “Deles” era um líder diferente dos outros: em vez de usar de palavras fortes, que provocassem a revolta dos operários, ele era o pacificador. Bastante letrado (talvez por influência do homônimo filósofo), foi responsável pelos ideais e projetos da Comuna. Por 62 dias, ele e os outros companheiros criaram uma realidade antes vista somente nas utopias marxistas. Uma cidade de cooperação, do povo para o povo.

No dia 28 de maio do mesmo ano, 30 mil morrem. A comuna estava desfeita. A força do exército francês, aliado, por acordos não muito inteligentes, com os antigos inimigos, destrói a utopia iluminada. Estava finda a Comuna de Paris. Porém, o ideal não morreu... E vai ser reacendido, anos depois, mais ao norte da Europa. A chama arde na Rússia.


SETOR 2: A Utopia da Utopia de Uma Revolução Vermelha – A Labareda

Os ideais do social comunismo eram difundidos mundo a fora. Uma nova realidade de viver, uma nova maneira de governar. O povo tinha ânsia pela novidade. O mundo vivia anos de ferro fundido, fumaça e vapor. O mundo se industrializava, se capitalizava. Uma potência surgia, um povo ficava rico, outro muito pobre. Uma realidade de poder é plantada. O socialismo queria, porém, não regar mais esta semente e difundir a cooperação pelos povos. Que utopia...

1917... A Rússia, por séculos, ficou isolada das grandes transformações sociais e políticas da Europa, centro do mundo naqueles séculos. A reforma e o renascimento pouco foram comentados ou aplicados nas terras frias do norte europeu. Um território imenso e pouco integrado. A necessidade de unir o povo russo traz os Czares – a autocracia absoluta, ao poder. O absolutismo czarista não satisfazia, como era de se esperar, ao povo. Os trabalhadores rurais viviam em extrema miséria e pobreza, pagando altos impostos para manter a base do sistema czarista de Nicolau II.

No ano de 1905, Nicolau II mostra a cara violenta e repressiva de seu governo. No conhecido Domingo Sangrento, manda seu exército fuzilar milhares de manifestantes. Marinheiros do encouraçado Potenkim também foram reprimidos. Começa então a formação dos sovietes – organização de trabalhadores russos – sob o comando de Lênin. Os bolcheviques começavam a preparar a grande revolução. A guerra mundial trouxe gastos para a monarquia, faltando alimentos nas cidades russas. O povo aumenta a sua indignação contra o governo absolutista de Nicolau II.

As greves iniciam um processo de revoltas organizadas por toda a Rússia, que culminou com a saída do monarca Nicolau II, assumindo um governo provisório. Em outubro de 1917, Lênin assume, então, o governo russo, prometendo paz, terra, pão, liberdade e trabalho. Que utopia... Estava vigorando o socialismo. Um das mudanças do novo governo foi a instalação de um partido único: o PC – Partido Comunista. Os ideais de Marx, acesos durante os anos anteriores, vira uma labareda e contagia todo o planeta.

Após o período de Revolução, é criada a URSS – União das Repúblicas Socialistas Soviéticas. Uma grande potência assombra o mundo capitalista ocidental. A Rússia se transformara na maior nação do oriente.

Os ideais da revolução russa, outrora de Marx, se difundem por todo o planeta. Uma das fagulhas daquela fogueira desvairada vai queimar o Brasil. Eis o partidão...


SETOR 3: Comunista Tupiniquim – A Empolgação

Brasil... Um país de todos os ideais. O início da história dos comunistas brasileiros data de 25 de março de 1922, quando foi fundado o Partido Comunista do Brasil – PCB. O partido incorpora a “Komintern” – as 21 condições de admissão à Terceira Internacional. Foi um documento elaborado na Rússia de Lênin que tinha a intenção de difundir e apoiar a implantação do comunismo por todo o planeta.

O tempo passa. Em tempos de chumbo, de trincheiras urbanas, de greves e revoltas, a chama toma corpo. Os ideais comunistas entram nas universidades. Os jovens buscavam um novo mundo, um novo tempo. O poder estava nas mãos de insanos. Ditadura de ações, prisões, torturas...

Mas o que importa é a vontade de vencer daqueles jovens. O vermelho preenche o coração, e com a foice e o martelo nas mãos, saem às ruas em busca de um país melhor. Uma utopia, sim, mas benéfico à alma, que só via sofrimento, maldade. O futuro precisaria ser preenchido com a vontade de viver uma nova verdade.

O movimento comunista brasileiro não morreu. Embora vivamos numa realidade capitalista, de poder concentrado e pobreza espalhada, ainda sopram os ventos de uma realidade social diferente, de um povo que poderá ver seus filhos felizes. Seria utopia? Sim... Mas é bom sonhar. Sonhar com um país que o poder seja do povo, onde não exista a miséria e que a fome seja de mais justiça.

A empolgação atinge um certo coração insulano. No alvorecer da juventude, a chama do comunismo é acesa. Um ideal de vontades, um retrato de Che na parede, ousadia, luta, vitória e singela utopia no coração colegial. A comuna estava reaberta e seu líder renasceu...


SETOR 4: Uma Ilha Virtual, Um Comuna Sem Igual – A Homenagem

Vamos construir uma utopia. Imaginem uma ilha. Nesta ilha existe uma só lei: Seja alegre e transmita a alegria ao seu próximo. Um território de magia, de ilusão, de brincadeiras e, como diz a lei, de alegria, por todo o ano. Nesta ilha, o amanhã sempre é mais bonito que o hoje, os domingos sempre são de sol forte e brisa.

A Ilha das Ilusões é uma terra que também faz a música. Acordes e tambores, cordas e cordões, blocos, samba, e... Alegria! Nesta ilha, renasce um guerreiro comunista, que outrora pisou em iluminadas terras francesas, deixando um rastro de liderança da utopia comunista. Claude virou Ricardo, uma pessoa simples, de alma feliz e com muita alegria.

Delezcluze... um habitante da Ilha do Governador – Terra da Alegria. Nesta terra, construiu o amor pelo samba, pelo carnaval. Com seus parias, funda a FGAF – Federação de Copas Fora, uma reunião de amigos. Amigos reais... Amigos Virtuais! A FGAF vira escola de samba virtual. Arrancando a tristeza do peito, transmite a alegria para todos, com um jeito diferente de ser. Uma escola que olha para o futuro e vê sempre a felicidade. E a Arranco da FGAF nada seria sem o Delezcluze – um dos componentes mais presentes e pró-ativos que a escola possui. Com idéias bem reais, fez o virtual crescer e transpor barreiras. Sua vida apenas está começando. Este comuna carnavalesco esbanja jovialidade e o futuro lhe espera. Com muita alegria, com certeza.

A Acadêmicos da Vila dos Cabanos parabeniza este personagem de alma elevada e transmite os votos de felicidade e sucesso, um futuro feliz e próspero. Parabéns Carnaval Virtual. Revelando talentos a cada momento, transmitindo alegria mundo a fora!