MIGUEL PAUL
PRESIDENTE DE HONRA

ARTHUR MACEDO
PRESIDENTE EXECUTIVO

 

SINOPSE ESTRELA DO AMANHÃ 2006

 

"Faça Amor, Não Faça a Guerra"

 

O homem sempre guerreou. No passado, a guerra era forma de afirmação dos povos – o poder não era medido pelos avanços culturais, científicos ou tecnológicos, mas pela capacidade de exterminar o inimigo.

Entretanto, a partir do século XX, a guerra tomou uma feição mais ameaçadora – com o desenvolvimento do poder armamentista de cada povo, a própria existência da civilização passou a ficar ameaçada. Um simples apertar de um botão poderia mandar o mundo pelo ares.

Diante disso, diversos movimentos populares passaram a defender a co-existência das diferenças. Os hippies, diante da inexplicável Guerra do Vietnã, proclamaram: “Faça Amor, Não Faça a Guerra”. Na esteira do pacifismo, veio o ambientalismo e a revolução sexual.

A grande lição desses movimentos é a tolerância às diferenças. O mundo é produto de forças opostas. Nem sempre é fácil perceber quem é o vilão e quem é o mocinho. Por causa disso, Descartes anunciou a teoria do Dualismo. A Estrela do Amanhã vem exaltar essa realidade dual. Somos semelhantes, não iguais. Aceitar as diferenças é o caminho para uma vida melhor. Abaixo o terrorismo bushiano, abaixo o fundamentalismo! Vamos viver em paz!


SETOR I - TUDO COMEÇOU DE UM BUM - BUM BUM BUM

Mamãe sempre dizia: “Não mexa com fogo, menino!”. Mas o homem, curioso como o quê, tinha de dominar aquela coisa doida, que gerava uma luz intensa e calor insuportável.

O fogo, evidentemente, tinha suas utilidades. Porém, o instinto do homem o levou a utilizá-lo para a guerra. Os homens da caverna, até então, armavam-se com pedras amoladas para o combate. O fogo era muito mais letal. Os chineses descobriram a pólvora e aí, meu irmão... um abraço!

As armas de fogo, durante milênios, foram os instrumentos principais da guerra. Dizem que esses conflitos fizeram a humanidade evoluir. O que se viu, no entanto, foram civilizações dizimadas, massacres descomunais. O homem chegou até a entrar em guerra contra a natureza, apenas para acumular riquezas. Quantas espécies de animais e vegetais foram extintas? Quantos ecossistemas devastados em busca de minerais de alto valor no mercado?


SETOR II – UMA BOMBA SOBRE O JAPÃO... FEZ NASCER UM JAPÃO DA PAZ

“Pensem nas crianças
Mudas telepáticas,
Pensem nas meninas
Cegas inexatas,
Pensem nas mulheres
Rotas alteradas,
Pensem nas feridas
Como rosas cálidas.

Mas, oh, não se esqueçam
Da rosa, da rosa!

Da rosa de Hiroshima,
A rosa hereditária,
A rosa radioativa
Estúpida e inválida,
A rosa com cirrose,
A anti-rosa atômica.
Sem cor, sem perfume,
Sem rosa, sem nada.”

(DE MORAES, Vinicius. “A Rosa de Hiroshima”)

Na sua guerra contra o ambiente, o homem pôde obter os recursos para desenvolver a tecnologia e fazer... mais guerra. De repente, em pleno Século XX, os generais das grandes potências mundiais resolveram jogar War. Do primeiro jogo, nasce uma Alemanha despedaçada pelo Tratado de Versalhes. Buscando recuperar a dignidade, na segunda partida, apóia o comando de um ex-pintor de parede que, gritando palavras de ordem, com seu bigodinho sem vergonha, aterroriza o mundo inteiro.

Os japoneses atacaram a base de Pearl Harbor e colocaram os EUA na guerra. No final, a bomba atômica explodiu no Japão, num imenso cogumelo acinzentado. Hitler é derrotado. O mundo divide-se em dois - socialistas e capitalistas.

A coisa foi tão feia que a ONU (Organização das Nações Unidas) foi criada. O homem chegara ao máximo do seu potencial destrutivo e uma nova guerra poderia ser o fim. A paz começa a se tornar um ideal maior.


SETOR III - GIRAVA O MUNDO, MAS ACABOU... FAZENDO A GUERRA DO VIETNÃ

Com essa rixa entre capitalistas e socialistas, surgiu a Guerra Fria. Num pequeno país do Sudeste Asiático, repete-se a dualidade – um Vietnã dividido em dois, o Norte comunista, e o Sul, comandado por uma ditadura de direita.

Para controlar o mal do comunismo, os americanos resolvem mandar uma quantidade absurda de soldados para o Vietnã do Norte, para depor o governo daquele país. Só que o repúdio a guerra tinha se instaurado no coração dos jovens, que questionaram toda aquela palhaça. Surgem “as crianças das flores”, que lançaram o movimento “paz e amor”. Não só lutaram contra a guerra, mas contra a própria sociedade tradicional norte-americana. Envolveram-se em causas ambientalistas e promoveram a revolução sexual. Espalharam seus ideais pelo mundo.

Quando John Lennon e Yoko Ono chamaram a imprensa, abriram as portas de sua intimidade e, deitados na cama, pregaram “Faça Amor, Não Faça a Guerra”, nada mais foi como antes. A partir dali, os muros caíram, as Alemanhas se uniram... Na guerra contra a guerra, os guerreiros da paz foram vitoriosos.


SETOR IV – WAR! WHAT IS IT GOOD FOR? ABSOLUTELY NOTHING!

Diante do novo e do diferente, o homem, primeiramente tem uma reação de fascínio e estranhamento; depois, rejeita a diferença e a combate; por fim, habitua-se e a incorpora ao seu próprio universo.

A guerra significa suprimir as etapas finais do conhecimento. Por isso, toda guerra significa intolerância. É absurda. Até porque o mundo é formado de forças opostas, que geram toda a diversidade do viver.

Há muitos anos, Descartes sustentou a teoria do dualismo, que é definido como “o sistema filosófico ou doutrina que admite, como explicação primeira do mundo e da vida, a existência de dois princípios, de duas substâncias ou duas realidades irredutíveis entre si, inconciliáveis, incapazes de síntese final ou de recíproca subordinação". Para ele, por exemplo, existe a matéria, mas o Universo não é só matéria – é espírito também. O físico e o metafísico.

Na verdade, a realidade é dual. Assim, não há algo que seja pior do que outra simplesmente por ser diferente. A noite sucede o dia, mas a lua não é melhor do que o sol. O amor não é, necessariamente, um sentimento mais nobre que o ódio. O negro não é mais bonito ou mais feio que o branco. Para existir a felicidade, tem de existir a tristeza. A infância e a velhice, a morte e a vida... Até a moeda tem dois lados.

Então, se o mundo é assim, guerra para quê?


SETOR V - OSAMA, OSAMA, OSAMA BIN LADEN, JOGA ESSE AVIÃO EM MIM...

“Sou o super-homem moderno. Sou como o antigo morcego. A diferença é o que bebo. Gosto de sangue vermelho. Embora o meu seja azul. Mas prefiro o petróleo. Faz frio aqui nesta terra. E quem tiver eu imploro. Nesse lugar onde moro. Temos mil aquecedores. Milhares de cobertores. Que dependem da energia. Movida a gás de cozinha. A querosene ou gasolina. Ao petróleo, eu diria.

E devo muitos favores. A todos os eleitores. A todos que me elegeram. De quem eu já recebi. Inteira e total confiança. São votos de esperança. Levar adiante a missão. De combate ao terrorismo. De combate ao comunismo. Sem assustar o cidadão. Sem atacar o turismo. Sentado nesta cadeira. Que nem todos podem sentar. É a minha opinião. É ter o mundo nas mãos. Dá muito o que pensar. Não dá nem para dormir. Não se pode relaxar.

Talvez ninguém acredite. Mas sou um homem tranqüilo. Pode parecer desculpa. Mas tenho boa intenção. Quando eu falo em combater. Há muito já decidi. Pelo lado da invasão. Já dei o exemplo recente. Lá no Afeganistão. A coisa lá acabou. Todo mundo foi embora. Só a esperança ficou. Quem morreu, se mereceu. Ou se morreu, sem merecer. É preciso não esquecer. A guerra tem dessas coisas. Não se pode esmorecer. Chegou a vez do Iraque. Não adianta correr. O Bin Laden já correu. Por isso mudei de local. A festa será de arromba. Verdadeiro carnaval (...)” (MEDEIROS, Domingos Oliveira. “O Exterminador do Futuro”)

Mesmo assim, tem gente que ainda pensa que a guerra tem alguma serventia. Quando Saddam invadiu o Kuwait, Bush pai teve a grande idéia – vamos enfrentar a ameaça mulçumana! Na verdade, tal como Rambo, o sujeito quis reescrever a história, revivendo o Vietnã, tentando obter um novo final.

A coisa não deu certo. Teve uns momentos de calmaria... Mas aí Bush filho assumiu. Virou a guerra dos errados contra os mais errados ainda (quem é quem, vocês decidam). Teve até avião se chocando contra prédio... Pegaram o Saddam, mas e o Osama? Pois é, ele está solto. A guerra dá nisso. O medo ainda persiste. Ainda não aprenderam a lição. Abaixo a guerra! Abaixo o terrorismo! O recado está dado:

“É o bem contra o mal
De um lado a guerra
Do outro, carnaval”

(Durval Lélys)