SINOPSE
ESTRELA DO AMANHÃ 2006
"Faça
Amor, Não Faça a Guerra"
O homem sempre guerreou. No passado,
a guerra era forma de afirmação dos povos –
o poder não era medido pelos avanços culturais,
científicos ou tecnológicos, mas pela capacidade
de exterminar o inimigo.
Entretanto, a partir do século
XX, a guerra tomou uma feição mais ameaçadora
– com o desenvolvimento do poder armamentista de cada povo,
a própria existência da civilização
passou a ficar ameaçada. Um simples apertar de um botão
poderia mandar o mundo pelo ares.
Diante disso, diversos movimentos
populares passaram a defender a co-existência das diferenças.
Os hippies, diante da inexplicável Guerra do Vietnã,
proclamaram: “Faça Amor, Não Faça a
Guerra”. Na esteira do pacifismo, veio o ambientalismo e
a revolução sexual.
A grande lição desses
movimentos é a tolerância às diferenças.
O mundo é produto de forças opostas. Nem sempre
é fácil perceber quem é o vilão e
quem é o mocinho. Por causa disso, Descartes anunciou a
teoria do Dualismo. A Estrela do Amanhã vem exaltar essa
realidade dual. Somos semelhantes, não iguais. Aceitar
as diferenças é o caminho para uma vida melhor.
Abaixo o terrorismo bushiano, abaixo o fundamentalismo! Vamos
viver em paz!
SETOR I - TUDO COMEÇOU DE UM BUM - BUM BUM BUM
Mamãe sempre dizia: “Não
mexa com fogo, menino!”. Mas o homem, curioso como o quê,
tinha de dominar aquela coisa doida, que gerava uma luz intensa
e calor insuportável.
O fogo, evidentemente, tinha suas
utilidades. Porém, o instinto do homem o levou a utilizá-lo
para a guerra. Os homens da caverna, até então,
armavam-se com pedras amoladas para o combate. O fogo era muito
mais letal. Os chineses descobriram a pólvora e aí,
meu irmão... um abraço!
As armas de fogo, durante milênios,
foram os instrumentos principais da guerra. Dizem que esses conflitos
fizeram a humanidade evoluir. O que se viu, no entanto, foram
civilizações dizimadas, massacres descomunais. O
homem chegou até a entrar em guerra contra a natureza,
apenas para acumular riquezas. Quantas espécies de animais
e vegetais foram extintas? Quantos ecossistemas devastados em
busca de minerais de alto valor no mercado?
SETOR II – UMA BOMBA SOBRE O JAPÃO... FEZ
NASCER UM JAPÃO DA PAZ
“Pensem
nas crianças
Mudas telepáticas,
Pensem nas meninas
Cegas inexatas,
Pensem nas mulheres
Rotas alteradas,
Pensem nas feridas
Como rosas cálidas.
Mas,
oh, não se esqueçam
Da rosa, da rosa!
Da
rosa de Hiroshima,
A rosa hereditária,
A rosa radioativa
Estúpida e inválida,
A rosa com cirrose,
A anti-rosa atômica.
Sem cor, sem perfume,
Sem rosa, sem nada.”
(DE MORAES, Vinicius. “A Rosa
de Hiroshima”)
Na sua guerra contra o ambiente,
o homem pôde obter os recursos para desenvolver a tecnologia
e fazer... mais guerra. De repente, em pleno Século XX,
os generais das grandes potências mundiais resolveram jogar
War. Do primeiro jogo, nasce uma Alemanha despedaçada pelo
Tratado de Versalhes. Buscando recuperar a dignidade, na segunda
partida, apóia o comando de um ex-pintor de parede que,
gritando palavras de ordem, com seu bigodinho sem vergonha, aterroriza
o mundo inteiro.
Os japoneses atacaram a base de Pearl
Harbor e colocaram os EUA na guerra. No final, a bomba atômica
explodiu no Japão, num imenso cogumelo acinzentado. Hitler
é derrotado. O mundo divide-se em dois - socialistas e
capitalistas.
A coisa foi tão feia que a
ONU (Organização das Nações Unidas)
foi criada. O homem chegara ao máximo do seu potencial
destrutivo e uma nova guerra poderia ser o fim. A paz começa
a se tornar um ideal maior.
SETOR III - GIRAVA O MUNDO, MAS ACABOU... FAZENDO A GUERRA
DO VIETNÃ
Com essa rixa entre capitalistas
e socialistas, surgiu a Guerra Fria. Num pequeno país do
Sudeste Asiático, repete-se a dualidade – um Vietnã
dividido em dois, o Norte comunista, e o Sul, comandado por uma
ditadura de direita.
Para controlar o mal do comunismo,
os americanos resolvem mandar uma quantidade absurda de soldados
para o Vietnã do Norte, para depor o governo daquele país.
Só que o repúdio a guerra tinha se instaurado no
coração dos jovens, que questionaram toda aquela
palhaça. Surgem “as crianças das flores”,
que lançaram o movimento “paz e amor”. Não
só lutaram contra a guerra, mas contra a própria
sociedade tradicional norte-americana. Envolveram-se em causas
ambientalistas e promoveram a revolução sexual.
Espalharam seus ideais pelo mundo.
Quando John Lennon e Yoko Ono chamaram
a imprensa, abriram as portas de sua intimidade e, deitados na
cama, pregaram “Faça Amor, Não Faça
a Guerra”, nada mais foi como antes. A partir dali, os muros
caíram, as Alemanhas se uniram... Na guerra contra a guerra,
os guerreiros da paz foram vitoriosos.
SETOR IV – WAR! WHAT IS IT GOOD FOR? ABSOLUTELY
NOTHING!
Diante do novo e do diferente, o
homem, primeiramente tem uma reação de fascínio
e estranhamento; depois, rejeita a diferença e a combate;
por fim, habitua-se e a incorpora ao seu próprio universo.
A guerra significa suprimir as etapas
finais do conhecimento. Por isso, toda guerra significa intolerância.
É absurda. Até porque o mundo é formado de
forças opostas, que geram toda a diversidade do viver.
Há muitos anos, Descartes
sustentou a teoria do dualismo, que é definido como “o
sistema filosófico ou doutrina que admite, como explicação
primeira do mundo e da vida, a existência de dois princípios,
de duas substâncias ou duas realidades irredutíveis
entre si, inconciliáveis, incapazes de síntese final
ou de recíproca subordinação". Para
ele, por exemplo, existe a matéria, mas o Universo não
é só matéria – é espírito
também. O físico e o metafísico.
Na verdade, a realidade é
dual. Assim, não há algo que seja pior do que outra
simplesmente por ser diferente. A noite sucede o dia, mas a lua
não é melhor do que o sol. O amor não é,
necessariamente, um sentimento mais nobre que o ódio. O
negro não é mais bonito ou mais feio que o branco.
Para existir a felicidade, tem de existir a tristeza. A infância
e a velhice, a morte e a vida... Até a moeda tem dois lados.
Então, se o mundo é
assim, guerra para quê?
SETOR V - OSAMA, OSAMA, OSAMA BIN LADEN, JOGA ESSE AVIÃO
EM MIM...
“Sou
o super-homem moderno. Sou como o antigo morcego. A diferença
é o que bebo. Gosto de sangue vermelho. Embora o meu seja
azul. Mas prefiro o petróleo. Faz frio aqui nesta terra.
E quem tiver eu imploro. Nesse lugar onde moro. Temos mil aquecedores.
Milhares de cobertores. Que dependem da energia. Movida a gás
de cozinha. A querosene ou gasolina. Ao petróleo, eu diria.
E
devo muitos favores. A todos os eleitores. A todos que me elegeram.
De quem eu já recebi. Inteira e total confiança.
São votos de esperança. Levar adiante a missão.
De combate ao terrorismo. De combate ao comunismo. Sem assustar
o cidadão. Sem atacar o turismo. Sentado nesta cadeira.
Que nem todos podem sentar. É a minha opinião. É
ter o mundo nas mãos. Dá muito o que pensar. Não
dá nem para dormir. Não se pode relaxar.
Talvez
ninguém acredite. Mas sou um homem tranqüilo. Pode
parecer desculpa. Mas tenho boa intenção. Quando
eu falo em combater. Há muito já decidi. Pelo lado
da invasão. Já dei o exemplo recente. Lá
no Afeganistão. A coisa lá acabou. Todo mundo foi
embora. Só a esperança ficou. Quem morreu, se mereceu.
Ou se morreu, sem merecer. É preciso não esquecer.
A guerra tem dessas coisas. Não se pode esmorecer. Chegou
a vez do Iraque. Não adianta correr. O Bin Laden já
correu. Por isso mudei de local. A festa será de arromba.
Verdadeiro carnaval (...)” (MEDEIROS, Domingos Oliveira.
“O Exterminador do Futuro”)
Mesmo assim, tem gente que ainda
pensa que a guerra tem alguma serventia. Quando Saddam invadiu
o Kuwait, Bush pai teve a grande idéia – vamos enfrentar
a ameaça mulçumana! Na verdade, tal como Rambo,
o sujeito quis reescrever a história, revivendo o Vietnã,
tentando obter um novo final.
A coisa não deu certo. Teve
uns momentos de calmaria... Mas aí Bush filho assumiu.
Virou a guerra dos errados contra os mais errados ainda (quem
é quem, vocês decidam). Teve até avião
se chocando contra prédio... Pegaram o Saddam, mas e o
Osama? Pois é, ele está solto. A guerra dá
nisso. O medo ainda persiste. Ainda não aprenderam a lição.
Abaixo a guerra! Abaixo o terrorismo! O recado está dado:
“É
o bem contra o mal
De um lado a guerra
Do outro, carnaval”
(Durval Lélys)