MIGUEL PAUL
PRESIDENTE DE HONRA

ARTHUR MACEDO
PRESIDENTE EXECUTIVO

 

SINOPSE ALTANEIROS DO SAMBA 2006

 

"Bate Outra Vez: Cartola, Um Sonho em Verde e Rosa"

 

JUSTIFICATIVA

Angenor de Oliveira, ou simplesmente Cartola, dispensa comentários. Um dos fundadores do GRES Estação Primeira de Mangueira, Cartola figura entre os grandes nomes da nossa Música Popular Brasileira. Desde cedo, soube usar seu dom divino para presentear a humanidade com suas poesias em forma de samba. De origem humilde, passou por diversos momentos difíceis ao longo de sua vida. Quando o mundo parecia cair sobre sua cabeça, Cartola encontrou o anjo da guarda que o acompanharia até o fim: D. Zica. Juntos, formaram um casal que ficaria eternizado na história do samba, através do Bar Zicartola. Nesse bar, foram revelados outros grandes nomes da música popular, como Elton Medeiros, Paulinho da Viola e Nelson Cavaquinho.

Por isso, é com muita honra que o GRESV Altaneiros do Samba escolhe, em sua estréia no Carnaval Virtual, o grande poeta Cartola como enredo. É importante ressaltar que não usaremos a biografia do mestre de forma rígida e cronológica. Optamos por criar um enredo lúdico, bem ao espírito do carnaval, onde o homenageado se transforma em um jardineiro poeta (ou, quem sabe, um poeta jardineiro?) que cria a maior obra de sua vida.

SINOPSE

Ali, no pé daquela colina, o jardineiro pára, retira da cabeça seu chapéu coco e seus olhos enchem de lágrimas. Era a mais linda ALVORADA que já havia visto, com o céu em tons rosa por sobre a verde vegetação. No dia anterior, havia decidido mudar para um lugar bem alto, onde pudesse exercer com calma o ofício que tanto amava.

Ao subir o morro, o jardineiro encontra o lugar perfeito para se instalar. Era uma casinha modesta, mas que possuía um belo quintal, ideal para seus afazeres. De repente ele houve uma batucada vinda de longe. Eram seus novos vizinhos que vinham dar as boas vindas. Quando ia dizer seu nome, alguém tomou a frente e, apontando para seu chapéu, foi logo dizendo: “Como vai, homem da cartolinha?” E não é que o nome pegou? A partir daquele momento, o jardineiro estava batizado com um novo nome: Cartola.

Para regar as plantas de seu novo jardim, Cartola passou a usar a água de um chafariz que existia ali perto, chamado de Fonte da Inspiração. Mas o jardineiro queria um jardim ainda mais especial e começou a usar nas plantas adubos que, até então, jardineiro algum havia usado!

Nosso jardineiro também era poeta. E a POESIA, em forma de música, foi um dos elementos usados por ele para cultivar seu jardim. Poesias tristes, poesias alegres, poesias de amor... Cartola inundou o jardim com poesias que compunha sozinho ou com seus parceiros. Todos os dias ia até suas plantas com uma poesia diferente para regá-las. Homenageou até mesmo a beleza e o perfume das rosas, comparando-os aos de uma bela mulher.***

Porém, nem só de dias ensolarados vivia o jardineiro. De repente, durante o inverno, as nuvens escuras estacionaram sobre a casa e o jardim de Cartola. A morte levou sua primeira mulher. Desesperado, casou-se novamente, mas a nova esposa não era merecedora de seu amor; traiu-o. A tristeza aproveitou-se do momento para levar o jardineiro para um caminho ainda mais nebuloso. Começou a beber de uma maneira tão nociva que sua vida chegou perto do fim... Quando tudo parecia terminado, eis que finda a tempestade e o Sol renasce: uma nova companheira ajuda Cartola a sair do abismo e a enxergar o colorido do seu jardim. Zica ensina ao amado a sorrir novamente. Mas o jardineiro não joga essa experiência fora. Esse é mais um adubo que ele usa em suas plantas, já que a dor do SOFRIMENTO também ajuda a fortalecer o caule e a raiz.

Para celebrar a nova fase, o casal abre as portas de sua casa para receber os amigos. E olha que não são poucos! Poetas, músicos, artistas... todos passam a freqüentar aquele lugar agradável e o jardineiro aproveita aquela AMIZADE para enriquecer ainda mais seu jardim. Um amigo cartunista lhe dá então a idéia de transformar a casa em um bar. Afinal, ali tinha tudo o que as pessoas gostavam e não haveria por que não compartilhar essas coisas com os outros! Zica, excelente cozinheira, ficou responsável pelos petiscos e Cartola cuidava dos convidados. O “Zicartola”, nome que o lugar recebeu, deu tão certo que passou a revelar novos jardineiros poetas, que vinham do morro e de todos os cantos da cidade.

E a vida seguiu alegre, com tudo o que o jardineiro precisava para ser feliz: o carinho da mulher amada, a companhia dos amigos e a beleza de seu jardim. E eis que numa bela manhã, o jardineiro, já velho, ao passear mais uma vez por sua obra, se depara com uma planta que até então não tinha visto – uma árvore grande e frondosa. Em seus galhos, milhares de pássaros cantavam em sinfonia. Era uma música doce, de uma poesia sem tamanho. Debaixo daquela árvore, ele compreendeu que havia realizado a obra de uma vida e ali sentou para descansar, perdido em suas lembranças. No dia seguinte, o velho jardineiro foi visto uma vez mais, porém, já sem vida, recostado ao tronco de uma bela MANGUEIRA. Um amigo que passava, diante daquela cena, então declarou: “Cartola não existiu. Foi um sonho que a gente teve...”

E realmente Cartola não morreu ali. Pessoas em todo o Brasil fazem com que a árvore do samba continue viva e gerando frutos. Fazem com que sua obra possa ser transmitida através das gerações. O tempo passou, mas Cartola continua vivo em cada novo fruto da árvore que ajudou a criar.

Fernando Peixoto, Marina Cotrim e Afonso Celso