SINOPSE
ALTANEIROS DO SAMBA 2006
"Bate
Outra Vez: Cartola, Um Sonho em Verde e Rosa"
JUSTIFICATIVA
Angenor de Oliveira, ou simplesmente
Cartola, dispensa comentários. Um dos fundadores do GRES
Estação Primeira de Mangueira, Cartola figura entre
os grandes nomes da nossa Música Popular Brasileira. Desde
cedo, soube usar seu dom divino para presentear a humanidade com
suas poesias em forma de samba. De origem humilde, passou por
diversos momentos difíceis ao longo de sua vida. Quando
o mundo parecia cair sobre sua cabeça, Cartola encontrou
o anjo da guarda que o acompanharia até o fim: D. Zica.
Juntos, formaram um casal que ficaria eternizado na história
do samba, através do Bar Zicartola. Nesse bar, foram revelados
outros grandes nomes da música popular, como Elton Medeiros,
Paulinho da Viola e Nelson Cavaquinho.
Por isso, é com muita honra
que o GRESV Altaneiros do Samba escolhe, em sua estréia
no Carnaval Virtual, o grande poeta Cartola como enredo. É
importante ressaltar que não usaremos a biografia do mestre
de forma rígida e cronológica. Optamos por criar
um enredo lúdico, bem ao espírito do carnaval, onde
o homenageado se transforma em um jardineiro poeta (ou, quem sabe,
um poeta jardineiro?) que cria a maior obra de sua vida.
SINOPSE
Ali, no pé daquela colina,
o jardineiro pára, retira da cabeça seu chapéu
coco e seus olhos enchem de lágrimas. Era a mais linda
ALVORADA que já havia visto, com o céu em tons rosa
por sobre a verde vegetação. No dia anterior, havia
decidido mudar para um lugar bem alto, onde pudesse exercer com
calma o ofício que tanto amava.
Ao subir o morro, o jardineiro encontra
o lugar perfeito para se instalar. Era uma casinha modesta, mas
que possuía um belo quintal, ideal para seus afazeres.
De repente ele houve uma batucada vinda de longe. Eram seus novos
vizinhos que vinham dar as boas vindas. Quando ia dizer seu nome,
alguém tomou a frente e, apontando para seu chapéu,
foi logo dizendo: “Como vai, homem da cartolinha?”
E não é que o nome pegou? A partir daquele momento,
o jardineiro estava batizado com um novo nome: Cartola.
Para regar as plantas de seu novo
jardim, Cartola passou a usar a água de um chafariz que
existia ali perto, chamado de Fonte da Inspiração.
Mas o jardineiro queria um jardim ainda mais especial e começou
a usar nas plantas adubos que, até então, jardineiro
algum havia usado!
Nosso jardineiro também era
poeta. E a POESIA, em forma de música, foi um dos elementos
usados por ele para cultivar seu jardim. Poesias tristes, poesias
alegres, poesias de amor... Cartola inundou o jardim com poesias
que compunha sozinho ou com seus parceiros. Todos os dias ia até
suas plantas com uma poesia diferente para regá-las. Homenageou
até mesmo a beleza e o perfume das rosas, comparando-os
aos de uma bela mulher.***
Porém, nem só de dias
ensolarados vivia o jardineiro. De repente, durante o inverno,
as nuvens escuras estacionaram sobre a casa e o jardim de Cartola.
A morte levou sua primeira mulher. Desesperado, casou-se novamente,
mas a nova esposa não era merecedora de seu amor; traiu-o.
A tristeza aproveitou-se do momento para levar o jardineiro para
um caminho ainda mais nebuloso. Começou a beber de uma
maneira tão nociva que sua vida chegou perto do fim...
Quando tudo parecia terminado, eis que finda a tempestade e o
Sol renasce: uma nova companheira ajuda Cartola a sair do abismo
e a enxergar o colorido do seu jardim. Zica ensina ao amado a
sorrir novamente. Mas o jardineiro não joga essa experiência
fora. Esse é mais um adubo que ele usa em suas plantas,
já que a dor do SOFRIMENTO também ajuda a fortalecer
o caule e a raiz.
Para celebrar a nova fase, o casal
abre as portas de sua casa para receber os amigos. E olha que
não são poucos! Poetas, músicos, artistas...
todos passam a freqüentar aquele lugar agradável e
o jardineiro aproveita aquela AMIZADE para enriquecer ainda mais
seu jardim. Um amigo cartunista lhe dá então a idéia
de transformar a casa em um bar. Afinal, ali tinha tudo o que
as pessoas gostavam e não haveria por que não compartilhar
essas coisas com os outros! Zica, excelente cozinheira, ficou
responsável pelos petiscos e Cartola cuidava dos convidados.
O “Zicartola”, nome que o lugar recebeu, deu tão
certo que passou a revelar novos jardineiros poetas, que vinham
do morro e de todos os cantos da cidade.
E a vida seguiu alegre, com tudo
o que o jardineiro precisava para ser feliz: o carinho da mulher
amada, a companhia dos amigos e a beleza de seu jardim. E eis
que numa bela manhã, o jardineiro, já velho, ao
passear mais uma vez por sua obra, se depara com uma planta que
até então não tinha visto – uma árvore
grande e frondosa. Em seus galhos, milhares de pássaros
cantavam em sinfonia. Era uma música doce, de uma poesia
sem tamanho. Debaixo daquela árvore, ele compreendeu que
havia realizado a obra de uma vida e ali sentou para descansar,
perdido em suas lembranças. No dia seguinte, o velho jardineiro
foi visto uma vez mais, porém, já sem vida, recostado
ao tronco de uma bela MANGUEIRA. Um amigo que passava, diante
daquela cena, então declarou: “Cartola não
existiu. Foi um sonho que a gente teve...”
E realmente Cartola não morreu
ali. Pessoas em todo o Brasil fazem com que a árvore do
samba continue viva e gerando frutos. Fazem com que sua obra possa
ser transmitida através das gerações. O tempo
passou, mas Cartola continua vivo em cada novo fruto da árvore
que ajudou a criar.
Fernando Peixoto, Marina Cotrim e
Afonso Celso