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MIGUEL PAUL
PRESIDENTE DE HONRA
ARTHUR MACEDO
PRESIDENTE
EXECUTIVO

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G.R.E.S.V. OCIOSOS DE GERICINÓ
Cores:
Roxo e Preto
Presidente:
Fábio Pavão
Carnavalesco:
Comissão de Carnaval
Intérprete:
Ciganerey
Texto
fornecido pela escola:
Para
contar a história da Ociosos de Gericinó, é importante voltarmos ao início
do século XX. Diante de um projeto de "europeização" dos hábitos
e costumes do povo brasileiro, os quintais foram verdadeiros quilombos,
permitindo que os traços culturais africanos fossem transmitidos e
reinterpretados pelas novas gerações. Foi pisando forte sobre o chão de
terra batida, levantando poeira, que os sambistas pioneiros construíram
nossa riqueza cultural. Ao som dos instrumentos de percussão, sambistas e
ácaros dançavam nestas empoeiradas rodas de samba.
Sendo assim, nada mais justo que dar o destaque que o ácaro merece na
história do samba, na vida do subúrbio carioca. Ao nosso redor, esta
minúscula criatura é quase onipresente, e sua importância pode ser atestada
pelo bairro carioca de Acari, que, segundo alguns conceituados
pesquisadores, seria uma corruptela de "ácaro alí". Se tomarmos
como exemplo os demais símbolos das escolas de samba, algumas perguntas são
importantes: alguém já viu águia sambar? Roda de samba com leão? Algum
tigre como passista? Condor tocando tamborim? Certamente não, mas não há
como negar que em todas as rodas de samba tem um animado ácaro brincando
nas nuvens de poeira. Não pretendemos, que fique clara esta ressalva,
desmerecer a importância simbólica que estes animais possuem para suas
agremiações. Apenas queremos que o ácaro tenha o destaque que merece na
história do samba e do carnaval carioca.
Apesar da perseguição das elites, os sambistas resistiram. Em suas peles
negras, traziam as marcas roxas da violência policial, servindo de inspiração
para nossa bandeira. Os primeiros sambistas eram ociosos, mas não por
opção. Viviam a injusta contradição de serem chamados de vagabundos pela
mesma sociedade que os negavam trabalho. Eram preteridos nas disputas por
emprego, tinham sua qualificação profissional limitada pela elite do
período, que depois usava esta mesma limitação para justificar a repressão.
Ociosos pelas contingências sociais, fizeram da malandragem uma arma para a
própria sobrevivência. Que fique para a posteridade que a ociosidade nem
sempre é uma opção pessoal, sobretudo quando afeta uma parcela
significativa de uma sociedade, como no Rio de Janeiro dos primeiros anos
do século XX.
Décadas mais tarde, numa noite qualquer de verão, cinco amigos se perderam
na zona oeste do Rio de Janeiro, mais precisamente no aprazível bairro
carioca de Gericinó. Seguiam numa Kombi para Santa Cruz, haviam acabado de
pegar um dos amigos em Bangu, mas se perderam num tortuoso caminho entre o
lixão e o presídio. Determinados a saírem daquele local, seguiam dando
voltas para encontrar o acesso à avenida Brasil, mas as tentativas se
mostravam inúteis. Antes de se entregarem ao pânico, avistaram um senhor
alto, de cabelos e cavanhaque grisalhos. Atrás de uma pesada armação de
óculos preta, um dos seus olhos apresentava um ligeiro problema. Em seu
rosto, as rugas do tempo e a barba mal feita dividiam espaço com um
"band-aid" prestes a descolar. O ancião, simpático, explicou o
que os amigos deveriam fazer para sair do local, deixando por fim um
pedido: "vocês precisam resgatar a irreverência do samba, fazer da
alegria novamente a essência do carnaval". Após a providencial ajuda,
o velho seguiu seu solitário caminho até desaparecer na noite, mas os
amigos jamais esqueceram aquele encontro casual.
No dia primeiro de agosto de 2005, esses amigos compuseram uma junta
administrativa e fundaram o G.R.E.S.V. Ociosos de Gericinó, cumprindo o
pedido daquele prestativo senhor e, como questão de justiça, resgatando
alguns símbolos esquecidos dos primeiros sambistas. No momento que as
escolas de samba reais se tornam cada vez mais pasteurizadas, com enredos
reduzidos a meros panfletos de marketing ou guias turísticos, firmamos um
compromisso de valorizar a irreverência, a alegria e o bom humor. Se as
pistas de desfiles reais estão cada vez mais chatas e sem graça, o riso
precisa encontrar outro espaço para se manifestar. Cada um utiliza as armas
que dispõe para defender seus interesses. Hoje, assim como os antigos
quintais, nosso computador é um quilombo de resistência. Ao invés da
polícia, fincamos nossas barricadas contra a chatice, a caretice e a
mesmice. Aqui, somos livres para rir. VIVA A IRREVERÊNCIA !
Site
Oficial: Não Possui
Colocação
em 2003: Não Desfilou
Colocação
em 2004: Não Desfilou
Colocação
em 2005: Não Desfilou
Enredo
2006: "O Ácaro Altaneiro está todo faceiro, pois foi
convidado. Orkut, maravilha digital, razão do meu Carnaval"

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